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Estrela de ensaio só com negros, Naomi evita polêmica política e racial

Thais Carvalho Diniz

Do UOL, em Nova York*

10/11/2017 17h14

“Alice no País das Maravilhas” é um dos contos mais famosos da história. E em 2018, no Calendário Pirelli, o clássico de Lewis Carroll ganhou o reforço de uma estrela da moda: Naomi Campbell. A história foi inspiração para a edição Tim Walker, renomado fotógrafo britânico, e tem a modelo como uma das principais atrações.

Essa é a 4ª aparição de Naomi no conceituado ensaio fotográfico. E a escolha do tema tem relação direta com a vida da supermodelo.

“Era uma das minhas histórias preferidas quando eu era criança. Todo Natal eu assistia na TV. Tudo era uma fantasia, eu lia livros e via filmes também na escola. Conheci muitas versões. E definitivamente marcou a minha infância”, disse ela em entrevista durante a semana de lançamento do Calendário em Nova York, nos Estados Unidos.

Para realizar “Alice no País das Maravilhas”, Tim Walker e Pirelli escalaram um time de 18 celebridades, todas negras. Mas não foi a primeira vez. Em 1987, na estreia de Naomi para a marca italiana, outro britânico, Terence Donovan, retratou cinco mulheres negras, entre elas, a escritora e ativista Waries Dirie.

“Eu fiz aos 16, 20, 30 e agora, aos 40. Na primeira vez, também foi icônico, eu estava com um grupo só de mulheres negras. Eu era tão nova que tive que pedir permissão para minha mãe e também para entender aquilo.”

Política e racismo

O Calendário de 2018 foi produzido em meio às discussões raciais atuais que envolvem, principalmente, o presidente americano Donald Trump. Sobre esse assunto, Naomi Campbell evitou entrar em polêmicas.

“Você escolhe o que pensar. Para mim essa [Alice no País das Maravilhas] é uma história de fantasia que pode ser interpretada de muitas formas. Sou aberta, não discrimino ninguém. Fiz muitas coisas em 31 anos de carreira por todo mundo e uma coisa que nunca podem falar sobre mim é que estou de um lado, porque eu não estou. Eu compartilho amor, é o que faço.”

Quando questionada se o fato de a edição do ensaio ter apenas negros passaria alguma mensagem para o mundo, Naomi apenas vê com naturalidade.

“A gente pensa que tem que ser sempre com pessoas brancas, mas não é verdade. Precisamos estar em 2017 para isso acontecer e pensarmos: poxa, poderia ser com negros. Isso é um limite da nossa mente, mas a minha não tem limites. Não importa se é preto, branco ou laranja: o que eu quero, eu posso!”

*A repórter viajou a convite da Pirelli.

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