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Mães e filhos

Casais têm filhos sem relacionamento amoroso e contam até com ajuda de app

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Aplicativo quer unir pessoas em busca de filho - sem relacionamento amoroso Imagem: iStock

Marcos Candido

Do UOL, em São Paulo

04/09/2017 04h00

Para muitas pessoas, ter um filho não depende de um relacionamento. Ao menos não de um relacionamento amoroso. A opção pela coparentalidade é cada vez mais comum: duas (ou mais) pessoas se conhecem e assumem o objetivo de gerar um bebê. Sim, criar um filho sem, necessariamente, engatar um romance e ter de aturar todos os entraves clássicos de uma união.

Essa foi a escolha da técnica em segurança do trabalho Aparecida Sobral, 38. Ela está com 16 semanas de gestação, fruto de uma relação coparental. Aparecida e o parceiro de dupla se prepararam psicologicamente, organizaram despesas e buscavam os mesmos objetivos. “Fui atraída pela coparentalidade devido ao foco na relação de amizade, respeito, liberdade e privacidade entre os parceiros”.

"Tinder" da concepção

Para facilitar esses encontros, a jornalista Taline Schneider, 36, lançou no final de julho um site e aplicativo para quem se interessa pela coparentalidade, após um ano de dedicação. “Ter um filho é assumi-lo, amá-lo e educá-lo, sem a necessidade de amar outra pessoa para isso. É preciso separar uma relação conjugal de uma relação parental”, explica.

Mais de 400 pessoas já se cadastraram na plataforma em busca de um parceiro coparental. A fila para entrar é grande, já que é preciso encarar um teste para demonstrar quais são os reais objetivos na plataforma. “Muita gente acha que é igual doação de esperma, barriga de aluguel ou produção independente. Não é isso. É gente interessada em ter uma amizade e gerar um filho para cuidar em conjunto, com planejamento financeiro e cuidado pela criança”, defende. Quem não passa na prova, não entra no PaisAmigos.com. Mal-intencionados podem ser denunciados e excluídos.

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"Amor, amizade e respeito": Para Taline, a coparentalidade tem os três preceitos como essenciais. Ela investiu R$ 60 mil para criar o site Imagem: Reprodução

Eles se conheceram online e estão se preparando

A professora de dança Thayná, 21, conheceu a coparentalidade há dois anos. Ela e o dentista Walisson, 25, vão tentar uma gestação no próximo ano. Por enquanto, os dois estão fortalecendo a amizade e acertando os últimos detalhes. “Assim a criança não corre nenhum risco que as relações tradicionais oferecem”, diz ela.

Já o bancário e escritor Stênio Ribeiro, 32, crê na coparentalidade para influenciar, oferecer amor, carinho e segurança para a vida de alguém. O que importa, ele diz, é afeto por outro ser humano, ainda a caminho, sem ter que achar o “grande amor da vida” para isso. “Independentemente da escolha [da parceira] e do futuro, carregarei comigo estas amizades para todo o sempre”, conta. Ele está conhecendo candidatas, e continua à procura da definitiva. 

E no papel, como funciona?

O advogado e presidente do Instituto Brasileiro de Direito de Família Rodrigo da Cunha Pereira recomenda que pais coparentais firmem um contrato juntos, na presença de um advogado. Não é obrigatório, mas facilita na hora de acertar detalhes como quem escolhe o nome do filho, como será a guarda, se a dupla fará uma união estável para registrar o filho e até mesmo como será a concepção do bebê (in vitro, inseminação caseira, artificial ou relação sexual).

O advogado diz que a Justiça brasileira está se adaptando ao novo modelo. E até brinca: “Às vezes, gera até menos briga do que com casais convencionais”.

 

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