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Fenômeno de vendas: por que a poesia de Rupi Kaur encanta tantas mulheres?

Natacha Cortêz

Do UOL

14/07/2017 04h00

Em tempos velozes, de informações instantâneas em fluxo torrencial, o que te faz parar? O que prende, de verdade, sua atenção? Se você é uma garota, talvez Rupi Kaur possa te fazer parar.

@rupikaur_
Imagem: @rupikaur_
Indiana radicada no Canadá, a poeta e artista visual de 24 anos já foi considerada “filha perfeita de seu tempo” e “voz de sua geração” graças à identificação que seu trabalho causa em jovens mulheres pelo mundo.

Mais de 1 milhão de exemplares vendidos

Seu primeiro livro, “Milk and honey”, lançado no Brasil como “Outros jeitos de usar a boca” pela editora Planeta, feito de poemas rápidos e sinceros que falam de perda, relacionamentos abusivos, racismo, dores e especialmente sobre ser mulher hoje, foi publicado de forma independente em 2014 e já ultrapassa um milhão de exemplares impressos só nos Estados Unidos. 

Traduzido em 8 idiomas (entre eles espanhol, chinês, alemão e italiano) permaneceu por mais de 40 semanas na lista dos mais vendidos do New York Times. Por aqui, o título está em sua 7ª edição e tem 30 mil cópias vendidas em menos de três meses. Se tratando de um livro de poesia contemporânea, “sem dúvidas esse número é um marco”, diz a assessoria da edição brasileira. 

Para o lançamento da coletânea de poemas no Brasil, as atrizes Luisa Arraes, Débora Nascimento, Mariana Xavier, Cris Vianna e Andreia Horta recitaram poemas de Rupi em um vídeo publicado na fanpage da Planeta - você pode assistir o vídeo no começo deste texto.

“Um pequeno vazamento”

Rupi Kaur/Instagram
Imagem: Rupi Kaur/Instagram

Como poeta, Rupi é um fenômeno de vendas. Como artista feminista, é voz e imagem para garotas que querem se ver além do espelho. Rupi representa muitas de nós e faz isso sem poupar ninguém, nem a si mesma. 

Divulgação
Poema de Rupi Kaur Imagem: Divulgação
Foi assim quando em 2015 publicou no Instagram uma foto sua, deitada de costas com a calça de pijama manchada de sangue de menstruação. Censurada, a imagem foi deletada pelo aplicativo. Como resposta, a artista postou novamente a foto e escreveu: “Não vou pedir desculpas por não alimentar o ego e o orgulho de uma sociedade misógina, que aceita meu corpo de calcinha e sutiã mas que não aceita um pequeno ‘vazamento'”.

A internet, seu palco potente juntamente com os livros, ajuda e muito a fazer de Rupi um sucesso que vai além das listas de mais vendidos na literatura. A autora alcança até quem diz não amar poesia. Jout Jout, por exemplo.

Mas por que Rupi toca tanto?

Ana Guadalupe, também poeta e tradutora da edição de “Outros jeitos de usar a boca” em português, explica: "Ela trata de temas e experiências que todas nós, mulheres, já vivemos. E faz isso de um jeito extremamente corajoso, sem afetação, sempre tomando as rédeas da própria narrativa de dor, prazer e descoberta”.

Divulgação
Poema de Rupi Kaur Imagem: Divulgação

Muita força nas redes sociais

A crítica especializada costuma colocar Rupi na gaveta dos InstaPoets, autores de poemas curtos, que se autopublicam em suas redes sociais e não esperam o selo de uma grande editora para serem validados. Na verdade, o fazem através de suas próprias audiências. 

Junto com Warsan Shire (poeta somali inglesa que Beyoncé usou em Lemonade), Rupi impulsiona um movimento poético que rompe em suas formas, conteúdos e plataformas com as estruturas tradicionais. São mulheres que estão usando a internet para conquistar um espaço que raramente é cedido a elas, especialmente quando não são brancas. "Não havia espaço para poesia sobre trauma, abuso, perda, amor e cura pelo olhar de uma mulher imigrante adepta do sikhismo (religião do sul da Ásia ainda cercada de tabus e preconceitos) ", disse Rupi ao The Guardian.

Reprodução/University of Waterloo
Imagem: Reprodução/University of Waterloo

O segundo livro

Rupi anunciou em seu Instagram que seu segundo livro, "The sun and her flowers", já tem data para o lançamento nos Estados Unidos, 3 de outubro. Rupi ainda disse que levou três anos para escrevê-lo, que "queria desesperadamente crescer como escritora" e, que no fim das contas, não desejava que a obra fosse uma continuação de "Outros jeitos de usar a boca". 

@rupikaur_
Imagem: @rupikaur_

Para conhecer mais sobre a autora, um vídeo que vale ser visto é a palestra da poeta no TED, bem aqui.

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