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Opinião: O filho da vizinha já pode ser gay. Mas e o seu?

Arquivo pessoal
Edith Modesto e o filho, Marcello Imagem: Arquivo pessoal

Edith Modesto*

Colaboração para o UOL

16/06/2017 04h00

Passa o tempo e o Grupo de Pais de Homossexuais (GPH) continua trabalhando para a reaproximação das mães e pais às suas filhas e filhos LGBTs. A verdade é que todos se amam, mas, principalmente na "fase da descoberta", os familiares se estranham e provocam um enorme sofrimento mútuo.

Você pode se perguntar: "Mas, isso ainda? Esse assunto já chega, cansou! É abordado na novela, nos jornais e revistas, nos livros, em filmes, por toda a internet e ainda há algum problema? Nada mudou?".

Baseada na nossa experiência, a resposta é: Mudou, sim. Mas não dentro de casa.

Por exemplo: certamente, o filho já pode ser gay na casa da vizinha. Você aceita. Há dez anos, não podia, era um escândalo no bairro. Hoje, a vizinha vai abraçar aquela mãe em desespero que tem um filho gay. "Coitadinha!". E a consola: "Ele parece hétero, amiga, ninguém diz..."

Passa o tempo, mudam parâmetros, muda a sociedade, mudam os conceitos, as regras, e pais e filhos homossexuais continuam se afastando uns dos outros e cultivando a raiva, a vergonha, a decepção, a tristeza, a mágoa... São processos difíceis de aceitação e de autoaceitação, muito semelhantes. 

Logo que "os filhos saem do armário, os pais entram, fechando a porta". Filhas e filhos se sentem "estranhos no ninho". Além de terem crescido semiórfãos, sentem-se como estranhos na sua própria casa.

Até quando?

*Edith Modesto é escritora, psicanalista, mestra e doutora em semiótica e linguística geral pela USP. Fundou o Grupo de Pais de Homossexuais.

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