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Casa e decoração

A reforma virou briga? Arquiteto não deve ser o árbitro do casal

Getty Images
Imagem: Getty Images

Anna Fagundes

Do UOL

31/05/2017 04h00

Dizem que você realmente conhece uma pessoa depois que passa, com ela, por uma reforma na casa. A equação que soma ansiedade para ver tudo pronto, orçamento quase sempre apertado e gostos por vezes opostos pode ser bombástica para muitos casais.

Para evitar crises, o jeito é estar preparado para todo tipo de problema. Confira algumas dicas para sobreviver à obra sem prejudicar o seu relacionamento:

1. Coloque tudo no papel muito antes de começar

O arquiteto Luis Nishi, que mantém um escritório especializado em reformas em São Paulo, já viu todo tipo de briga entre casais. Um dos casos inesquecíveis foi quando uma cliente comprou e mandou reformar uma banheira de porcelana antiga -- só que o marido queria uma moderna, com hidromassagem. “Imagine a complicação! Tiveram que quebrar os azulejos, colocar motor...” Para evitar dores de cabeça futuras, é melhor conversar sobre gostos antes de derrubar a primeira parede.

2. Na hora do orçamento, leve em consideração o futuro

Concentrar-se apenas no presente é um erro comum. Na hora do orçamento, vale pensar se quer aumentar a família ou algo que trará gastos extras -- como uma piscina ou sauna. Isso também é importante para materiais de decoração que podem ser difíceis de repor, como azulejos antigos ou material de demolição.

3. Não espere que o arquiteto seja árbitro da discussão

O arquiteto também avisa que, até por questões práticas, só dá sugestões sobre a reforma quando é solicitado -- e, em caso de briga, não toma partido. “No começo da obra, dou minha opinião técnica. As pessoas precisam ter consciência de que toda alteração tem impacto no tempo de obra e no custo final", explica. Quando os detalhes não são discutidos com antecedência, a encrenca costuma sobrar para a equipe de construção. Nishi não se esquece de um cliente que mandou trocar todo o piso da sala porque não gostou da escolha da parceira. Detalhe: a obra já estava entregue e o casal já morava no imóvel.

4. Se não dá para concordar, ache uma terceira via

Gosto não se discute -- e, quando se trata da construção de uma casa, pode acabar virando motivo para uma batalha. O psicólogo Yuri Busin diz que muitas brigas de casal durante obras são por falta de comunicação. “Não precisa tentar convencer o outro de que você está certo. Se você quer pintar a sala de branco e ele, de cinza, tentem encontrar uma terceira cor que agrade os dois”. Yuri sugere que os casais não tenham medo de expressar suas vontades e expectativas, por mais simples ou bobas que possam parecer. “A gente cria muita expectativa sobre o pensamento do outro e se decepciona -- e isso gera briga.” Ou seja: o parceiro não é obrigado a adivinhar o que o outro quer ou não.

5. O orçamento deve cobrir as vontades dos dois

O orçamento está apertado? A tentação é cortar algum item considerado mais “faraônico” da lista da obra -- mas dificilmente a pessoa vai abrir mão de suas vontades. Yuri sugere que, se for para cortar gastos para garantir o andamento da obra, que seja em algo que não tem a ver com a reforma. “Não vale cortar aquilo que agrada ao seu parceiro para manter aquilo que agrada a você. Todas as decisões e prioridades precisam ser tomadas em conjunto, já que a casa será dos dois.”

6. Lembre-se de que a casa não é só de uma pessoa

Um dos entrevistados, que pediu sigilo, conta que teve problemas com a reforma de seu imóvel quando se casou -- ele já morava no local e a esposa, que se mudou para a residência, tocou a obra. No entanto, ele se sentiu invadido com as mudanças que ela sugeria, afinal ele estava ali antes. Dividir o espaço e aceitar algumas alterações "foi uma experiência um tanto traumática”, ele conta. “Porém, a gente aprendeu como fazer e, principalmente, o que era realmente importante para nós dois."

7. Compartilhe as responsabilidades da obra

Outro motivo de estresse é quando as obrigações da reforma -- quem paga o mestre de obras, vai comprar a tinta ou o cimento – ficam com um dos cônjuges, que se vê como o “dono” da obra e da opinião mais importante. A reforma precisa ser discutida como se fosse um negócio em conjunto, de maneira prática. Ou seja: as responsabilidades precisam ser divididas e postas no papel -- e, como em qualquer empresa, devem ser cumpridas à risca.

8. Imprevistos acontecem. Acostume-se com isso...

Não adianta: obras sempre têm um fator de imprevisibilidade. Antes de começar a reformar, deixe uma quantia extra preparada para esse tipo de situação. Deixando tudo às claras, o casal reduz os pontos de tensão e pode aproveitar a parte boa, que é fazer uma casa com a cara dos dois.