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Após 4 negativas, casal gay batiza filhos na igreja; "não desistimos fácil"

Reprodução/Facebook
Toni Reis e David Harrad conseguiram batizar Alyson, 16, Jéssica, 14, e Filipe, 12, na Igreja Católica 22 Imagem: Reprodução/Facebook

Thamires Andrade

Do UOL

28/04/2017 16h57

Toni Reis e David Harrad estão acostumados a lutar pelos seus direitos. Juntos desde 1990, o casal é reconhecido pela luta a favor da causa LGBT: batalharam por anos para oficializarem a união, que só foi possível em 2011 com a decisão do STF de reconhecer a união estável entre pessoas do mesmo sexo, e também foram protagonistas de uma decisão do STF de reconhecer o direito de adoção a casais homossexuais.

Pais de Alyson, 16, Jéssica, 14, e Filipe, 12, eles encontraram uma nova barreira quando quiseram batizar seus filhos na igreja católica. Depois que quatro igrejas da cidade se recusaram a fazer a cerimônia, Reis buscou o arcebispo da cidade, Dom José Antonio Peruzzo, que aceitou batizar os três.

Situações delicadas

“Durante essa peregrinação pelas igrejas, passamos por algumas situações delicadas. Quando contei para a secretária de uma das paróquias que era casado com outro homem, ela pulou da cadeira e gritou ‘nãããão’. Outras vinham com a desculpa de que a igreja é regida pelo código canônico e que só podia batizar bebê ou que não dava para batizá-los, pois não éramos casados na igreja. Aí eu falava, então eu caso, sem problemas, e a resposta era que pessoas do mesmo sexo não podiam”, relembra Reis.

Mas para Reis, o importante foi que a família não desistiu de realizar a cerimônia. “Sou católico e o David é anglicano, que é a igreja católica dos ingleses. Os rituais são os mesmos. As crianças também queriam ser batizadas e ficaram empolgadas. Não desistimos fácil. Para gente, problema é para ser solucionado e qualquer barreira se torna indignação”.

Processo de batismo

O arcebispo dom Peruzzo foi solícito com o casal e orientou que os padrinhos das crianças precisavam ser católicos e fazer um curso. Reis também conta que eles enviaram a documentação para a catedral e os três filhos fizeram a catequese a pedido do bispo. “Era para ter certeza de que eles queriam mesmo e conhecer todos os sacramentos. Eles toparam e adoraram”, conta.

“Acho que os pais têm que incentivar os filhos a seguirem com uma religião ou estudarem muito para pensar em uma inteligência transcendental. Eles vão fazer crisma e depois se não quiserem mais seguir a vida religiosa é uma escolha deles”, explica.

Cerimônia

O batizado dos três foi realizado no último domingo (23) na catedral Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, na capital do Paraná, e a cerimônia foi celebrada pelo padre Elio Dall’Agnol. “Sempre digo que é nos caminhos mais difíceis, achamos as melhores frutas. No fim, eles acabaram sendo batizados na basílica, uma das igrejas mais lindas”, fala.

A cerimônia foi um momento de muita emoção para a família e os amigos. “Chorei em alguns momentos. Quando o padre anunciou logo no início que o Alyson, a Jéssica e o Filipe seriam batizados, chorei, lembrei-me do passado, da minha mãe e da minha primeira comunhão”, conta.

Reprodução/Facebook
Filipe, Alyson e Jéssica ficaram felizes de pertencer a uma religião Imagem: Reprodução/Facebook
Quando postou as fotos do batismo dos filhos em sua página do Facebook, Reis não esperava a repercussão obtida. “Muita gente escreveu admirado para a gente: ‘nossa, vocês são gays e cristão’. Lembro muito de uma frase do Clodovil: 'Religião é que nem roupa intima. Você tem que vestir e ter e não ficar esfregando na cara dos outros'. Então, nós temos a nossa religião e temos essa privacidade sobre isso e também respeitamos as outras religiões”, fala.

Sensação de pertencimento

Empolgado, Alyson contou que adorou a catequese e que está animado para fazer o curso de crisma. “Foi muito importante para mim a cerimônia do batismo. Gostei muito de ter uma religião”, conta.

Jéssica acredita que o batismo foi um marco que renovou sua vida. “Gostei muito de ter feito a catequese, aprendi coisas novas que não fazia a menor ideia e acho isso muito legal”, disse.

Filipe também ficou feliz por se sentir parte de uma religião. “Foi muito legal passar por tudo isso. O  padre da catequese foi muito gentil com a gente. Adorei a experiência", fala.

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