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Mães e filhos


Mães e filhos

Vida sexual depois do parto passa por adaptação com corpo e paciência

Getty Images
Imagem: Getty Images

Gabriela Guimarães e Marina Oliveira

Colaboração para o UOL

2017-04-26T04:00:00

26/04/2017 04h00

A blogueira Maria Cristina Bernardo, 36 anos, fundadora do Mães Empreendedoras, sentiu a vida sexual mudar após o nascimento do primeiro filho, Guilherme, hoje com 9 anos. “Eu estava tão ligada a ele que não conseguia pensar em qualquer outra coisa. Na verdade, eu chegava a me sentir culpada por pensar em algo que não fossem as necessidades do meu filho”, diz Maria Cristina, que também é mãe de João, 5 anos, e de Júlia, de apenas 2 meses.

Havia também o desgaste físico causado pelo aumento de tarefas diárias, pela privação de sono e pelo processo de adaptação aos novos papéis familiares. “Eu precisava cumprir horários com o bebê e isso afetou a rotina da casa, do trabalho e também a vida sexual. No fim do dia, eu ficava muito cansada”, explica.

Não bastassem tantas mudanças do lado de fora, o corpo da mulher também sofre modificações que colaboram para que a vida sexual seja colocada em segundo plano logo após o parto. Durante a amamentação, o que estimula a produção de leite é o hormônio prolactina. “Esse hormônio inibe o desejo e a excitação sexual”, explica a ginecologista e obstetra Carolina Rossoni, do Hospital e Maternidade São Luiz.

É fato que o desejo não é influenciado somente pelos hormônios e que os pensamentos eróticos também contam. Contudo, assim como aconteceu com Maria Cristina, é bem difícil a mulher pensar em sexo com um bebê precisando de cuidados quase que o tempo todo. “Normalmente, a retomada da vida sexual acontece após quatro a seis meses do nascimento da criança, quando a amamentação e a rotina familiar estão estabelecidas”, diz Carolina.

O corpo ainda está sofrendo mudanças

O período de ajustes na cama e adaptação com o corpo é normal. “O que mais interferiu na minha sexualidade foram os seios, porque estavam sempre cheios de leite e vazando. Eles não eram mais uma zona erógena”, diz a dona de casa Camila Battistini, 35 anos, mãe de quatro filhos, sendo o mais novo, Bento, de 1 ano.

O ressecamento vaginal também é comum no pós-parto. “Nas primeiras relações sexuais pode haver um certo desconforto, mas é possível amenizá-lo com lubrificante à base de água”, diz a ginecologista.

O desejo aparece aos poucos

O casal vai precisar retomar a intimidade. Voltar a namorar ao sentir-se confortável, sem o propósito de evoluir para o sexo, é uma estratégia que ajuda nessa fase, segundo o ginecologista e obstetra Luiz Fernando Carvalho, especializado em Reprodução Humana. “Quanto menos você faz sexo, menos tem vontade de fazer. No começo, é preciso estimular, criar algumas brincadeiras entre o casal. Daí o desejo vai aparecendo”, explica.

Um pensamento que também pode ajudar é o de que sexo nem sempre é sinônimo de penetração. “Mesmo durante o resguardo, fazíamos tudo fluir naturalmente. Rolavam beijos quentes, carícias, sexo oral e masturbação mútua”, diz Camila. Para o ginecologista e obstetra Alberto Guimarães, mestre pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), dar apoio e carinho também ajuda a estimular a relação. “Cuidar do bebê para o outro dormir é uma forma de incentivar a sexualidade”, diz.

Ser paciente também faz parte

O par deve ser paciente porque, além de todas as mudanças que a mulher está vivendo, há a questão da autoestima. Com o corpo completamente diferente, muitas passam a não reconhecer a própria imagem no espelho. “Eu nunca tive alteração de peso mas, na minha primeira gestação, engordei bastante. O estar gorda não é um problema, a questão é mudar o seu referencial. Isso afetou a minha autoestima”, conta Maria Cristina.

O que a ajudou a superar a fase foi sentir-se amada mesmo nos dias em que ela se via “mais descabelada do que o normal”. “Se você não está se valorizando e tem um companheiro que coloca a sua autoestima lá embaixo, associando um determinado tipo de corpo com prazer, o período se torna mais difícil”, diz. Guimarães concorda. “O parceiro precisa estar atento às mudanças emocionais da mulher, porque ela pode ter a sensação de que não desperta mais o desejo dele. Essa percepção pode retardar a retomada das relações”, explica o médico.