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Silicone no bumbum é mais complexo que nos seios, e arrependimento é comum

Divulgação/Patrick/CO Assessoria
A apresentadora Eliana Amaral, que retirou as próteses de silicone que tinha nos glúteos Imagem: Divulgação/Patrick/CO Assessoria

Adriana Nogueira

Do UOL

27/03/2017 17h22

Depois de colocar próteses de silicone nos glúteos em julho, a apresentadora Eliana Faria voltou ao hospital para retirar os implantes, neste mês. Ela justificou-se dizendo que “mulher grande só é bonita de bunda de fora", reclamando que, ao colocar um vestido, o resultado não a agradava. A insatisfação com o procedimento não é incomum, segundo o cirurgião plástico Luís Henrique Ishida, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Regional São Paulo.

Ishida afirma que não há números oficiais sobre a retirada de implantes nessa região do corpo, mas ele mesmo costuma atender pacientes com esse pedido com uma certa frequência.

O médico diz que as pessoas associam esse procedimento com a colocação de próteses nas mamas, só que a cirurgia nos glúteos é muito mais complexa e, portanto, requer um cirurgião bastante capacitado para se ter um bom resultado.

Reprodução/Facebook
Eliana Amaral, antes (à esq) e depois de colocar silicone nos glúteos Imagem: Reprodução/Facebook

Resultado assimétrico

“O risco de assimetria é muito maior do que a plástica nos seios. É comum que se coloque próteses muito grandes, e a mulher fique parecendo obesa”, diz Ishida.

O cirurgião fala que, antes do procedimento, médico e paciente precisam conversar muito sobre que tipo de prótese usar e de que tamanho. “É preciso considerar se a pessoa tem o quadril estreito ou largo, onde ela costuma acumular mais gordura, ou seja, fazer uma análise completa.”

Na opinião do médico, a paciente ideal para a colocação de próteses é aquela com biótipo magro e que não tem bumbum projetado. As demais deveriam considerar como alternativa para delinear essa parte do corpo o enxerto de gordura.

Como é o enxerto?

“O enxerto é uma importante conquista da cirurgia plástica recente. Ele permite que se faça um desenho mais harmônico, com menos risco de não se chegar ao resultado esperado. Além disso, é menos complexo”, explica o especialista.

De acordo com Ishida, a técnica ainda é utilizada quando se retira as próteses de silicone. "Não se pode simplesmente tirar o implante e não fazer mais nada, pois a região fica murcha."

Para fazer o enxerto, a gordura é retirada do corpo do próprio paciente –da barriga, por exemplo–, filtrada e recolocada nos glúteos. “A filtragem só preserva células íntegras de gordura e células tronco, fazendo que a área se beneficie das características dessas últimas estruturas, ganhando em elasticidade e hidratação.”

Ishida também fala que o procedimento tem um pós-operatório bem menos dolorido do que o implante de silicone nos glúteos. “Para colocar as próteses, é preciso cortar o músculo glúteo máximo, que é um dos mais fortes do corpo, bem no sulco que divide as duas nádegas, uma região de cicatrização delicada. Há médicos que deixam a pessoa três dias internada no hospital, deitada de bruços.”

Segundo Ishida, o erro mais comum do procedimento com silicone é a colocação muito superficial das próteses, possibilitando que elas se desloquem do lugar.

O estilo de vida da pessoa também tem de ser levado em contato antes de se decidir pela intervenção. “Na maioria das vezes, depois de realizado o procedimento, o médico desaconselha que a pessoa faça exercícios como agachamentos mais pesados. Se for uma mulher esportista, a paciente terá a rotina afetada.”

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