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Pancadaria por ciúme viraliza na web; vingança alivia ou dá ressaca moral?

Reprodução/TV UOL
Em vídeo, mulher supostamente traída agrediu o marido e uma das mulheres que estava com ele Imagem: Reprodução/TV UOL

Adriana Nogueira

Do UOL

13/03/2017 17h01

Um vídeo mostrando uma mulher agredindo o marido e a acompanhante deste, em um bar em Rio Verde (GO), está repercutindo na internet. Postada na semana passada, a gravação teve 100 mil visualizações até este momento e foi tema de reportagem do jornal inglês “Daily Mail”. O incidente aconteceu em 19 de fevereiro.

Ao pegar o par no flagra com outra pessoa, você agrediria:

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O UOL conversou com a psicóloga Marina Vasconcellos, terapeuta familiar pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), e com a antropóloga Mirian Goldenberg, professora titular na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), para entender se o comportamento pode trazer benefícios para o traído.

Miriam, que pesquisa o tema infidelidade desde 1988 e coleciona duas mil entrevistas –entre traídos e traidores--, diz nunca ter se deparado com uma reação violenta do tipo. “Para agir dessa forma, a pessoa tem de ter uma personalidade mais explosiva. E ela reage assim por perder a ilusão de ser especial e única na vida do marido, mas não é batendo que ela vai recuperar essa posição.”

Para Marina, ainda que a atitude traga alívio, a sensação é muito efêmera. “Fui humilhada e resolvo humilhar de volta. Só que o que vem depois é ainda mais pesado. Você se expõe e ainda dá aos outros a oportunidade de te julgarem.”

Miriam também afirma que, ao agredir a que seria a outra, a traída expressa o machismo que está interiorizado nela. “Ela culpa a outra mulher, porque cresceu vendo ser colocado como natural que o homem tenha muitas parceiras”, fala a antropóloga.

Para as duas especialistas, a reação violenta da traída é uma expressão dos tempos atuais. “Hoje as pessoas reagem com agressividade em muitas situações, não só em casos de traição”, afirma Mirian.

Já Marina relembra que, antigamente, esperava-se que a mulher fosse mais contida. “Nos dias atuais, ela tem liberdade de se expressar. Mas, dessa situação [de reagir a uma traição a tapas], só sairá uma ressaca moral fortíssima. Por mais que a mulher peça desculpa, retrate-se, alguém já filmou e colocou na internet.”

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