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Agredida em bloco fará retrato falado de agressor e não desiste de Carnaval

Reprodução/Facebook
Carolina Froes foi agarrada pelo pescoço no bloco de Carnaval Casa Comigo, no sábado (18), em São Paulo Imagem: Reprodução/Facebook

Adriana Nogueira

Do UOL

22/02/2017 14h01Atualizada em 23/02/2017 18h39

Vítima de agressão e abuso no bloco de Carnaval Casa Comigo, em São Paulo, no sábado (18), Carolina Froes, 22 anos, faria nesta quarta (22) o retrato falado de seu agressor, em uma delegacia da zona leste de São Paulo. Na terça (21), ela fez o boletim de ocorrência da violência que sofreu.

"A denúncia e a reação são necessárias. Não só por mim, por todas as mulheres. Estamos juntas e isso me faz mais forte", disse Carolina, ao UOL.

Carolina, que é estudante de artes cênicas na Universidade de São Paulo, relatou o abuso em um post no Facebook na segunda-feira (20). Até a publicação desta reportagem, o texto tinha 50 mil reações e quase 16 mil compartilhamentos. Na postagem, ela conta que tinha acabado de trabalhar com outras três amigas, vendendo geladinhos no bloco, quando um homem se aproximou e arrancou a parte de cima do biquíni que usava.

"Continuo triste, com raiva e nojo pelo que houve comigo, mas esses sentimentos são comuns. Estou há seis dias vivendo em função do que aconteceu", conta. "Todo o processo é muito cansativo, mas, como eu já disse no meu relato, meu caso não é isolado. Isso acontece muitas vezes, todos os dias. Muitas mulheres são violentadas, estupradas, agredidas. Muitas delas não sobrevivem". 

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“Comecei a gritar: ‘Tá maluco?’, ‘Ele tirou minha roupa’. Um espaço se abriu. Continuei reagindo e tentando segurar o cara. ‘Chama a polícia, ele tirou minha roupa’, também lembro de gritar. Nisso ele me agarra pelo pescoço e me enforca enquanto eu tento chutar. Me levanta pelo pescoço, e então me joga no chão. Caí. Sem blusa e sem ajuda. Foi quando machuquei meu braço. Levantei ainda mais nervosa, gritando mais alto e preparada pra machucá-lo mais. No único momento em que realmente nos olhamos nos olhos, lembro de ver que o pescoço dele estava todo arranhado. Depois me disseram que o braço dele também sangrou. Minhas unhas estão todas quebradas, então provavelmente é verdade. Quando levantei, cinco pessoas me seguraram. Ninguém segurou o agressor. Enquanto eu gritava pra me largarem, enquanto eu gritava pedindo pra que o segurassem, vi ele indo embora rindo”, escreveu Carolina na rede social.

Reprodução/Facebook
Carolina mostra o braço machucado Imagem: Reprodução/Facebook
 Natalia Protasio, 23, uma das amigas que estava no bloco com Carolina, contou ao UOL que a estudante demorou a se dar conta do que tinha acontecido. “No outro dia, quando acordamos, que ela parou e falou ‘aquilo foi um abuso’.”

A despeito das marcas físicas –Carolina ficou com hematomas no pescoço e braço-- e emocionais do episódio, Natalia fala que elas voltarão para as ruas todos os dias de Carnaval para vender geladinho.

“Estamos com a produção a mil [dos geladinhos]. Carnaval é uma das únicas chances que temos para ganhar dinheiro. Não vai ser por causa de um doente que vamos parar”, afirma ela.

Natalia diz que ela e as amigas irão para a rua mais atentas depois do episódio de violência, mas o cuidado não será só com elas mesmas, mas com todas as mulheres ao redor. "Se a gente não se unir é impossível ganhar do patriarcado e do machismo."

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