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Finasterida é segredo do topete de Trump; droga pode desanimar o sexo

Pablo Martinez Monsivais/ AP
Segundo o médico pessoal do presidente americano, ele faz uso de finasterida Imagem: Pablo Martinez Monsivais/ AP

Adriana Nogueira

Do UOL

02/02/2017 13h44

O uso de finasterida –remédio receitado originalmente para tratar problemas na próstata— é o segredo da cabeleira ostentada por Donald Trump. Quem fez a revelação foi o médico pessoal do atual presidente americano, Harold N. Bornstein, que o atende desde 1980, em entrevistas recentes para a imprensa americana. Apesar de ser considerada pelas autoridades de saúde daquele país como uma substância efetiva no tratamento da calvície masculina, a finasterida tem como efeito colateral principal a diminuição do desejo sexual.

“Tem quem confunda a diminuição do desejo com impotência, há diferença. Existem indivíduos que relatam perda de desejo e, ao serem estimulados, apresentam potência”, afirma o cirurgião plástico especialista em transplante capilar Mauro Speranzini, diretor da Clínica Speranzini e presidente da ABCRC (Associação Brasileira da Cirurgia de Restauração Capilar).

Segundo Speranzini, outros efeitos colaterais da finasterida são ginecomastia (aumento das mamas), diminuição da fertilidade e do volume de esperma ejaculado e depressão. “O fabricante da droga fala que os efeitos colaterais da droga atingem cerca de 3% dos pacientes, mas nos congressos médicos fala-se em um número em torno de 10%.”

A finasterida era usada originalmente para tratar a hiperplasia da próstata, aumento benigno do órgão que provoca dificuldade de urinar, comum em homens a partir dos 50 anos. “Daí percebeu-se que ela tinha como efeito colateral o crescimento de cabelo e o engrossamento dos fios”, explica o cirurgião plástico.

Doses menores

O médico diz que dessa observação surgiu a ideia de aproveitar o remédio no tratamento da calvície masculina. “Para tratar a hiperplasia, a dose diária convencionada foi 5mg, mas, para o tratamento capilar, viu-se que bastava usar 1mg por dia.”

Speranzini ainda diz que há trabalhos científicos em andamento que defendem o uso de uma dose ainda menor. “Para os pacientes que relatam medo dos efeitos colaterais ou sentiram algo tomando o comprimido de 1mg, recomendo usar um quarto da dose.”

Outro receio que paira sobre a finasterida é se seus efeitos colaterais seriam permanentes. A discussão começou com a publicação de um estudo no periódico científico "Journal of Sexual Medicine", em 2012, que apontava que 20% dos participantes que tomavam a droga tinham disfunções sexuais havia seis anos ou mais.

“Esse estudo não teve rigor científico. As entrevistas foram feitas por telefone. Existem outros trabalhos em andamento. Ainda paira a dúvida se os efeitos são permanentes ou se desaparecem com a suspensão do uso”, diz Speranzini.

De acordo com o cirurgião plástico, a finasterida não é indicada para o tratamento da calvície feminina. Se a mulher tomá-la na gestação, pode fazer com que o feto XY (menino) desenvolva características femininas, ou seja, pode causar intersexualidade. “Quando o homem está tentando engravidar a parceira, costuma-se também suspender o uso, pois não se tem certeza se a substância passa pelo esperma ou não”, afirma Speranzini.

Segundo o especialista, o tratamento usual da queda de cabelo no homem é feito com a associação da finasterida via oral e a aplicação no couro cabelo de minoxidil, droga usada originalmente para tratar a hipertensão arterial.

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