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"Aprendi a lidar com depressão porque sempre tive amor", diz Fernanda Young

Bob Wolfenson/Reprodução
A escritora Fernanda Young: "não fosse a depressão, não teria feito nem 70% do que fiz na vida." Imagem: Bob Wolfenson/Reprodução

Do UOL

02/02/2017 18h22

Como enfrentar uma crise de depressão? Para a escritora carioca Fernanda Young, é um animal a ser enfrentado com honestidade. Em uma entrevista à edição de fevereiro da revista "Marie Claire", a autora de seriados como "Os Normais" (Globo) e "Surtada na Yoga" (GNT), a autora de 46 anos conta um pouco sobre como lida com a doença, diagnosticada ainda na infância. “Aprendi a lidar com a depressão porque sempre tive amor e humor perto de mim. Por causa dela conquistei muitas coisas”, conta. "É estranho dizer isso, mas, se não fosse a depressão, não teria feito nem 70% do que realizei na minha vida."

Mãe de quatro filhos, com idades entre 16 e 8 anos, Young revelou que tentou se matar aos dez anos, com um corte no pulso. "Não gostaria que parecesse culpa da minha família. Simplesmente era uma criança depressiva, que poderia se machucar e que pensava em morrer." Começou a fazer terapia aos 13 anos e contou com o apoio da família. "Sempre rimos muito na minha casa. O humor me ajudou", explica. 

Altos e baixos
Após ser diagnosticada com depressão - um evento que Young classificou como "maravilhoso" - a autora passou a tratar-se com medicação e exercícios físicos. "Foi sensacional. Saí de um redemoinho de dramas e dor, de altos e baixos", conta. Após algumas crises (uma delas causada por críticas ao seu trabalho no programa de entrevistas "Saia Justa", do qual ela participou entre 2002 e 2003), ela diz ter aprendido a notar os sintomas. "Sinto coisas físicas: o hálito muda, a boca fica amarga, o couro cabeludo arrepiado. É fácil detectar."
 
Na entrevista, ela também fala sobre aborto e também sobre um estupro que ela sofreu aos 16 anos, sem saber que se tratava de violência. "Fui violentada em um encontro íntimo com um ex-namorado. Na época, achei horrível, mas levei tempo para entender que foi um estupro. Achava que a culpa era minha por ter amado essa pessoa. Só percebi que tinha sido estuprada vendo uma cena semelhante em uma série, anos depois."
 

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