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Mulheres gastam mais de R$ 40 mil com bonecas que tratam como filhos reais

Amanda Serra

Colaboração para o UOL

02/12/2016 11h51

A rotina parece a de uma mãe comum. Envolve ter tempo e dedicação para trocar fraldas e roupas, levar para passear, comprar mobília e acessórios e não se importar de gastar valores equivalentes ou superiores a um carro popular (R$ 30 mil em média).

Mas as três mulheres a seguir são mães de "reborn" –bonecos semelhantes a um bebê de verdade e que podem ter até 1,50 metro de altura. Além de atrair crianças, as peças --que custam entre R$ 1.100 a R$ 5.000 e que podem demorar até 20 dias para ficar prontas-- têm consumidoras entre 30 e 60 anos.

Cristina Rodrigues, 43, de Santa Maria (RS)

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal
"Tenho cerca de 30 bebês. Não chamo de bonecas. Todos têm nome e me acompanham em passeios, em viagens. Comemoro os aniversários com presentes. Já gastei mais de R$ 1.000 de uma vez só vez com roupas de personagens da Disney. No total, já gastei mais de R$ 40 mil. Já deixei de comprar coisas para mim para dar lugar a eles e não me arrependo. Trato com muito carinho. Eles têm um quarto com berço, troco fraldas, roupas, arrumo os cabelos, tenho ciúme, não deixo as pessoas pegarem. É como cuidar de um bebê de verdade. Às vezes, estou estressada, começo a cuidar deles e me sinto mais calma. É diferente do tempo de criança. Não ligava muito de brincar de boneca, com os reborn, tenho um carinho enorme. Quero 'adotar' [comprar] mais, é como um vício. Adoro crianças, já tentei adotar, mas demora anos, aí quando te chamam, você já está velha." (Cristina tem três filhas, uma de 29, uma de 25 e uma de 16 anos)
 

Fernanda Cristina Campos Oliveira, 41, de Santo André (SP)

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal
"Sempre quis ter um filho, tive três abortos e foram experiências ruins, mas não é por conta disso que tenho reborn. Sempre gostei de bonecas e nunca parei de brincar, mas é diferente da infância. Elas são semelhantes a um bebê real. No total, tenho 13, são as minhas meninas. Todas têm nome, data de nascimento. É gostoso você sair e comprar roupas, móveis para o quarto delas, sapatos, acessórios. Fiz até festa de aniversário temática com direito a bolo para uma delas, a Maria Fernanda. Não vejo exagero nisso, para mim, é algo normal, já que os convidados eram todos adultos. Em maio, estou pensando em fazer festa para uma outra. Gosto de trocar as roupas delas, de conversar... É como cuidar de uma criança. Gasto bastante com elas, mas sei que são bonecas."
 

Sheila Terres, 35, de Santa Maria (RS)

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal
"Elas são a minha terapia. Eu me sinto bem dentro do quarto delas. Costumo conversar com a Antonella, a Samantha e a Annabelle durante mais de duas horas por dia, como quando falava com o meu filho [hoje com 17 anos]. Troco as roupas se a temperatura muda, passo perfume. Já gastei mais de R$ 1.300 só com roupinhas, incluindo a do batismo. Também costumo costurar e produzir brinquedos e trajes novos. Elas não choram, não me julgam, estão sempre sorrindo. Não tem como não se alegrar. Lembra a infância, é como se eu tivesse a inocência de uma criança novamente. Também tem o laço materno, sinto que estou protegendo-as. Brinquei de boneca até os 14 anos, aos 17, fui mãe e depois tive medo de engravidar novamente. Agora, sou uma criança crescida. As pessoas discriminam muito, acham que é um dinheiro que não deveria ser gasto assim. Dizem que é coisa de gente doida, mas não me importo. É uma arte e tem um valor sentimental."

 

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