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Bicho novo na área? Veja como fazer as apresentações entre os animais

Edson Lopes Jr./ UOL
As cachorras Mel e Cacau se adaptaram e convivem em harmonia: Mel chegou dois anos depois à família Imagem: Edson Lopes Jr./ UOL

Patrícia Guimarães

Colaboração para o UOL

10/11/2016 07h01

A lista de benefícios em ter companheiros com quatro patas é tão grande que muita gente acaba cedendo aos encantos dos bichos e opta por abrigar mais de um. Mas nem sempre a bicharada chega ao mesmo tempo e isso pode motivar confusões entre os animais. Foi assim com a confeiteira Carolina Perez, dona da Cacau desde 2012 e que, em 2014, decidiu levar para casa Mel, que havia sido atropelada.

Passada a quarentena, Mel foi adotada e para evitar que o ciúme tomasse conta de Cacau, que até então era a dona do pedaço, a solução encontrada por Carolina foi separá-las para comer e dormir e, também, oferecer carinho igualmente para as duas. Apesar de algumas briguinhas, as medidas simples adotadas pela proprietária surtiram efeito: as cadelas se tornaram parceiras. Para ajudá-lo a alcançar a paz entre os bichos, o UOL elencou algumas dicas práticas de como apresentar animais quando um deles já é o "rei da casa".

Territorialismo canino

Quem decide ter um cão deve avaliar se o plano é ficar somente com ele ou se há a possibilidade de levar mais um cachorrinho para a residência, pois este planejamento ajuda no processo de adaptação.

Didi Cunha/ Arte UOL
Passeios em conjunto ajudam na socialização dos cães e facilitam a adaptação Imagem: Didi Cunha/ Arte UOL
Como fazer?

  • O ideal é socializar o cachorro a partir dos três meses de idade, para que o contato com outros animais seja saudável e tranquilo em casa e durante os passeios em parques e na rua. O processo evita o entendimento das brincadeiras de outros indivíduos como ataques;
  • Nos dias que antecedem a chegada do novo cão, diminua a frequência de petiscos, festinhas e afagos para então retomar os mimos quando o bicho chegar. Esta técnica pode ajudar a criar no cachorro que já vivia ali a sensação de que ter o recém-chegado é uma coisa boa, já que tudo voltou ao normal;
  • O momento da apresentação dos cães deve ser fora de casa: leve o animal já residente para um passeio e, então, deixe que ele brinque, cheire e troque experiências com o novo companheiro. Só então retorne à casa com os dois juntos. O cão que previamente vivia ali tenderá a entender que ele  "convidou" o novo amigo;
  • Se houver estranhamento, vale, primeiro, segurar um deles e deixar que o outro cheire. Em seguida, faça a troca (quem estava cheirando passa a ser segurado). Isto é muito importante, porque é pelo olfato que os cães se conhecem de fato;
  • Se nada funcionar, separe os animais (sem que possam ver um ao outro). Os passeios, porém, devem ser mantidos e feitos em conjunto até que a aceitação melhore. E, caso não haja entendimento na hora de comer, ofereça o alimento separadamente para evitar que um dos indivíduos não coma.

Quem tem cão, também pode ter gato

Levar um gato para uma casa onde vive um cão não é tão complicado quanto parece. O ideal é adaptar o espaço para a chegada do bichano, que gosta de circular pelo alto, por exemplo, instalando prateleiras. Isto garante que o felino fique na dele quando quiser e desça até o chão nos momentos em que desejar interagir com o cachorro. Ao mesmo tempo, o cão sente que o território continua dele.

Didi Cunha/ Arte UOL
Colocar o gatinho em uma caixa de transporte facilita a aproximação do cão e salvaguarda o bichano Imagem: Didi Cunha/ Arte UOL
Prazer, amigo

  • Apare as unhas do felino para evitar que acidentes aconteçam caso o bichano pule sobre o outro animal;
  • Ao promover o encontro, controle o gato: coloque-o em uma caixa de transporte para que o cão possa se aproximar e farejar o novo amigo. Se ambos se comportarem bem, ofereça petiscos para que eles associem a presença um do outro às coisas boas;
  • Se o cão for de grande porte, tenha bom senso: é importante que o gato tenha um espaço para o qual possa fugir. E, se a convivência for muito estressante, separe-os;
  • Administrar a atenção que oferece aos animais também é essencial: tente dosar o carinho e equilibrar a oferta entre a bicharada para evitar ciúme ou brigas.

Gatos, aqueles cavalheiros

Naturalmente, felinos não vivem em bandos: eles se protegem, se limpam, caçam e se aquecem por si só. Por tal motivo, o instinto de proteção na espécie é muito maior do que em cães: um gato só entrará em uma briga se souber que pode ganhar a disputa. Então, uma boa maneira de fazer a adaptação entre felinos é criar em ambos a sensação de que o outro pode vencer.

Didi Cunha/ Arte UOL
Ofereça uma comida apetitosa ao gato que já vivia na casa, para que ele possa associar o amigo a uma coisa boa Imagem: Didi Cunha/ Arte UOL
Psicologia felina

  • As mesmas estratégias usadas entre cães podem ser adotadas para apresentar felinos, portanto, diminuir os petiscos e a atenção antes do novo bichano chegar pode ser útil no processo de adaptação;
  • Assim como na apresentação entre cães e gatos, coloque o novo "morador" em uma caixa de transporte e apare suas unhas. O petisco favorito do animal que já vivia na casa pode ser colocado próximo daquele que acaba de chegar, para que se crie uma associação sobre coisas boas;
  • Caso o gatinho já residente queira agredir o recém-chegado, um borrifador (com saída em jato e água) pode ser usado para afastá-lo e estabelecer uma relação de respeito;
  • Levar um paninho com o cheiro do animal que irá chegar e colocar junto das coisas do bichano que já estava na casa também pode ajudar no processo de reconhecimento;
  • Se o dono decidir levar dois ou mais bichos para o ambiente em que vivia apenas um felino, possivelmente, a adaptação será mais tranquila. Isso acontece porque o gato que estava só respeitará o bando.

Fonte: André Poloni, especialista em adestramento de várias espécies e adepto da técnica do reforço positivo para melhorar o comportamento de animais.

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