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Entenda o que mudou nos cuidados com o bebê do tempo das avós para cá

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Levar os avós à consulta com o pediatra evita conflitos na hora de cuidar do bebê Imagem: Getty Images

Melissa Diniz

Do UOL, em São Paulo

25/05/2016 12h19

Não há como negar que no tempo das vovós os cuidados com o bebê eram muito diferentes dos preconizados hoje. As mudanças, amparadas em pesquisas científicas, algumas vezes são radicais e podem criar conflitos de gerações entre os pais novatos e os avós experientes.

Para evitar divergências em família, o pediatra e homeopata Moises Chencinski, de São Paulo, pede aos pais que levem também os avós nas consultas do bebê. “Eles estranham algumas das recomendações, por isso, facilita se ouvirem o que fazer e o que não fazer da boca do médico”, diz.

Formado há 36 anos, o especialista explica que as principais mudanças que tem acompanhado em sua prática clínica se aplicam à alimentação, higiene e sono dos bebês. “Quando eu me formei, recomendava-se dar suco de frutas para o bebê com um mês, papa de frutas com dois meses, almoço com três meses e jantar com quatro meses. Hoje isso é impensável, recomendamos o aleitamento materno exclusivo e em livre demanda até o sexto mês de vida”, afirma.

Outro alimento, antes liberado a partir dos seis meses e hoje proibido até que a criança complete um ano, é o leite de vaca, bastante associado ao surgimento de alergia alimentar. Segundo o médico, no passado havia a cultura de que criança gordinha era saudável. Por isso, as mães davam mamadeira com açúcar e farinha, imaginando que o leite do peito pudesse ser fraco.

“O leite materno é o alimento mais completo para o bebê e criança gordinha fica em observação porque é um potencial obeso infantil”, explica.

O hábito de bater a comida no liquidificador ou passar na peneira para que o bebê comesse mais, lembra o pediatra, também deve cair por terra. “Isso dilui demais a comida, destrói as fibras, transforma tudo em líquido, levando a criança a ingerir mais do que precisa. Além disso, mastigar é muito importante para desenvolver a musculatura orofacial e a fala”.

Outra questão polêmica é a chupeta. De acordo com o médico, o melhor é não usar. “Assim como a mamadeira, a chupeta estimula a pega incorreta do bico, levando o bebê a parar de mamar na mãe.”

Banho, perfumes e agasalhos

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A água do banho do bebê deve ser morna e os produtos de higiene neutros Imagem: Getty Images

A neonatologista Clery Bernardi Gallacci, do Hospital e Maternidade Santa Joana, em São Paulo, lembra que, ao contrário do que se fazia antigamente, hoje não se recomenda o uso de produtos de higiene com perfume em bebês para evitar alergias. Tudo deve ser neutro.

A médica afirma também que, décadas atrás, os pais tinham o hábito de usar água muito quente no banho do bebê. “O mais indicado é usar a água morna. Também não há necessidade de ferver”, explica.

Se antes, nas trocas de fraldas, o uso de pomadas era abundante, hoje, sabe-se que, em excesso, os cremes contra assadura podem modificar o pH da camada natural da pele, destruindo a flora bacteriana e predispondo a irritações. “Usa-se o mínimo possível, lembrando de limpar com água e algodão e jamais passar talco, que pode causar rinite e até sufocamento”.

Outro cuidado importante é não agasalhar demais a criança. “Era comum colocar luvas, touca, roupinhas quentes, mesmo no verão, pois se acreditava que o bebê sentia mais frio do que um adulto. Isso não procede. Ele tem a temperatura corpórea normal e deve ser vestido de acordo com o clima.”

Alguns objetos como pulseirinha, colarzinho, mantas com babados e fitas não são mais indicados, complementa a médica, pois podem ser engolidos ou enroscar, causando acidentes.

A pediatra e neonatologista Claudia Marilia Fenile Conti, do Hospital e Maternidade São Cristóvão, no Rio de Janeiro, conta que algumas dúvidas trazidas pelos avós estão relacionadas a crendices. “Alguns acreditam que deixar o bebê se olhar no espelho atrapalha o desenvolvimento da fala, que se as roupinhas ficarem expostas ao sereno, o bebê terá cólicas. Não há comprovação científica sobre isso. Outros usam álcool para abaixar a febre, mas sabemos que não se deve fazer isso, pois o álcool pode ser facilmente absorvido pelo organismo do bebê”, explica.

Claudia costuma ser questionada, também, sobre o uso de faixa com a moeda no umbigo do bebê para a evitar o surgimento de hérnias. “Não é recomendado. O cuidado ideal é limpar com álcool 70% a cada troca de fralda e manter sempre seco, isto vai fazer o coto umbilical secar e cair naturalmente”, diz.

Sono de costas e cuidado com charutinho

Embora bastante popular, a técnica de enrolar o bebê para que se acalme e durma melhor, conhecida como charutinho, também exige cuidados dos pais. Pesquisas recentes apontam que ela pode aumenta em 25% o risco de morte súbita. O risco também está presente se a criança dormir de bruços. “Hoje, indicamos que o bebê durma de costas, sem travesseiro, sem paninho ou protetor de berço”, diz Chencinski.

Por segurança, um estudo publicado este ano no periódico científico “Pediatrics” sugere que os pais deixem de enrolar o bebê a partir do momento em que ele adquire a capacidade de se virar sozinho. 

Outro problema relacionado à prática, explica o médico, é a possibilidade de causar um quadro conhecido como luxação congênita de quadril. “As perninhas do bebê não são esticadas, permanecem um pouco dobradas nos primeiros meses de vida. O charutinho pode forçá-las a ficarem retas, levando o fêmur a se deslocar do quadril.”

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