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Mães e filhos

Discussão sim, briga não: como lidar com conflitos na frente das crianças

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Brigas fazem a criança sentir que tem de tomar partido do pai ou da mãe Imagem: Getty Images

Do UOL, em São Paulo

04/10/2015 08h05

 

Atritos são comuns e normais nos relacionamentos e não é o fato de o casal ter um filho que fará com que eles desapareçam. Ver os pais discordarem de algo não impactará negativamente o desenvolvimento da criança, mas brigas intensas sim.

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"As brigas são desestruturadoras para as crianças, pois elas sentem que precisam tomar partido de alguém e ficam amedrontadas, pensando que os pais podem se separar ou se agredir", afirma a psicóloga Ceres de Araújo, especialista em distúrbios da comunicação humana e professora da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo.

Como os pais são a primeira referência dos filhos, o comportamento agressivo e conflituoso pode se tornar um modelo a ser replicado pela criança. "É importante ser exemplo de autocontrole. Criança não tem essa habilidade, vai desenvolver com o tempo e com a educação. Se os adultos dizem que ela não pode xingar, brigar, bater, e eles mesmos quebram essas regras, ela não aprende", diz a educadora Lívia Maria da Silva, doutora em educação pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

A psicóloga e psicopedagoga Nívea Fabricio conta que viu essa situação acontecer muitas vezes durante os 40 anos em que atende famílias em consultório e escolas. "Quando recebo uma criança mais afeita a conflitos, olho para os pais e vejo que eles passam esse modelo. Da mesma forma, um lar harmonioso forma indivíduos harmoniosos", conta ela, que também é terapeuta familiar e diretora do colégio Graphein, em São Paulo.

Aconteceu. O que fazer?

Se você perder o controle e entrar em um embate mais acalorado na presença dos filhos, retome a calma assim que possível e só continue a discussão quando estiver em um lugar reservado. Um deslize não causa danos graves, só não pode virar rotina. "Não precisamos ser perfeitos, mas, sim, perceber as nossas confusões e aprender com a experiência. Eu me exaltei? Impactei meu filho? Na próxima vez, vou contar até dez, dar uma volta, respirar e seguir em frente", fala a psicóloga e psicopedagoga Ana Cássia Maturano, que atende famílias em São Paulo.

Depois que os ânimos voltarem ao normal, os pais devem, juntos, conversar com o filho para explicar o que aconteceu, pedir desculpas e dizer que agora está tudo bem. "É preciso dar uma perspectiva de final feliz, para não deixar a criança preocupada e ansiosa", diz Ceres de Araújo.

A recomendação vale para qualquer idade, porque os bebês também sentem o clima ruim. "É preciso verbalizar para o bebê, de maneira simples e direta, já que ele ainda não entende do ponto de vista cognitivo, mas sente a carga afetiva", afirma Livia Maria da Silva. Para a criança até três anos, o mais importante é mostrar a reconciliação na prática, ou seja, chegar perto dela dando abraços e beijos no parceiro.

Discussões civilizadas são bem-vindas

Os únicos assuntos proibidos em qualquer circunstância são questões que envolvam a educação da criança e a intimidade do casal. Todos os outros temas podem e devem ser abordados na frente dos filhos, até para mostrar que é normal discordar e que é possível chegar a um acordo amigável. "Não é bom ficar escondendo os problemas da criança, porque ela percebe. Essa coisa velada, do não dito, pode dar a entender que ela não tem o direito de colocar seus sentimentos e dúvidas", diz Ana Cássia.

A discussão saudável mostra que existem diferentes pontos de vista, estimula o poder de argumentação e o diálogo, ajuda a identificar e expressar emoções diante de situações difíceis e a criar estratégias para lidar com os problemas. "É bom que os filhos vejam que discussão não é sinônimo de briga e que os pais não precisam pensar o mesmo sobre um assunto, desde que consigam avaliar a questão e chegar a uma solução comum. Esse exercício é muito útil para a formação da criança", declara Ceres de Araújo.

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