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Você acha que casados há 50 anos não fazem sexo? Engano seu

 Stuart Bradford/The New York Times
Estudo diz que casais juntos há muito tempo continuam transando Imagem: Stuart Bradford/The New York Times

Jan Hoffman

The New York Times

27/02/2015 18h57

Sim, existe sexo depois do casamento. Especialmente se você consegue ultrapassar o aniversário de 50 anos de união.

Depois de analisar entrevistas com 1.656 americanos casados com idades entre 57 e 85 anos, os pesquisadores encontraram o esperado: aqueles sob os efeitos dos primeiros anos de paixão faziam sexo mais frequentemente do que os casados há mais tempo, cuja efervescência sexual fora atenuada pela vida.
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Mas os pesquisadores também encontraram algo inesperado: apesar de a maioria dos indivíduos ter falado de declínios constantes na atividade sexual, aqueles que passaram dos 50 anos de casamento começaram a relatar um pequeno aumento em suas vidas sexuais.
 
Notavelmente, a frequência na vida sexual de casais formados há mais tempo continuou a aumentar. Na pesquisa, publicada mês passado com o nome de "The Archives of Sexual Behavior" (Arquivos do Comportamento Sexual, em tradução livre), os estudiosos escreveram que "um indivíduo casado por 50 anos fará menos sexo do que um casado há 65 anos".
 
A análise se baseia em dados do Projeto Nacional de Vida Social, Saúde e Idade de 2005/2006, para o qual idosos foram entrevistados sobre vários aspectos de seu bem estar. Mesmo quando os autores da pesquisa levaram em conta fatores como idade, saúde, raça, sexo, trabalho e satisfação no relacionamento, a chama dos que estão casados há mais de 50 anos, apesar de não muito estável, era mais constante do que o de casamentos mais recentes.
 
Os pesquisadores são sociólogos da Universidade do Estado da Louisiana, da Universidade do Estado da Flórida e da Universidade Baylor, no Texas.
 
"A frequência sexual não volta a ser duas ou três vezes por mês, mas se move nessa direção", afirma Samuel Stroope, principal autor e professor assistente de Sociologia da Universidade do Estado da Louisiana.
 
Claro que há limites às conclusões que podem ser tiradas da pesquisa. "Não sabemos se estar casado faz com que você tenha mais sexo ou se ter mais relações sexuais faz com que você fique mais tempo casado", explica Karl Pillemer, gerontologista e professor de desenvolvimento humano da Universidade Cornell, que não participou do estudo.
 
Para Linda J. Waite, professora de Sociologia da Universidade de Chicago e principal investigadora do Projeto Nacional de Vida Social, Saúde e Idade de 2005/2006, os dados usados no estudo pedem cautela. "Os números são pequenos nessas idades. É um pouco perigoso interpretá-los demais."
 
 
Mas a descoberta de que alguns casais que estão juntos há muito tempo continuam a fazer sexo década após década não é nova para Jennie B., viúva de 82 anos, que vive em uma vila no interior do estado de Nova York. Ela se casou com seu primeiro e único marido, Peter, em 1956, quando os dois estavam com vinte e poucos anos. O casal, que permaneceu junto por 47 anos, continuou ativo sexualmente até que ele precisou fazer uma cirurgia de ponte de safena quíntupla dois anos antes de morrer em 2003.
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"Uma vez por mês, talvez", diz Jennie B. que pediu para que seu último nome não fosse revelado para manter sua privacidade. "Eu não contava. Acontecia quando acontecia. O sexo não era tão importante quanto outras coisas, mas continuávamos a fazer."
 
Nesse retrato da pesquisa de adultos mais velhos, alguns não estavam fazendo sexo. E alguns faziam sexo todos os dias. Mas o estudo deu atenção principalmente às tendências.
 
O idoso médio que estava casado por um ano tinha 65% de chance de fazer sexo de duas a três vezes por mês ou mais. Aos 25 anos de casamento, a probabilidade dessa frequência caia para 40%. Se o casamento durava 50 anos, ia a 35%. Mas se o casamento –e a vida– de adultos mais velhos continuava, em 65 anos juntos, a chance de fazer sexo nessa frequência de duas a três vezes por mês era de 42%.
 
Stroope diz que pelo menos duas forças opostas estão em jogo quando o assunto é sexualidade em um casamento longo. A primeira é chamada "habituação", o afrouxamento dos sentidos sexuais, quando marido e mulher se acostumam um com o outro e ficam desgastados pelo cotidiano e as difíceis demandas da vida.
 
Mas quem passa muito tempo junto também acumula o que Stroope chama de "capital de relacionamento": em bons casamentos, ele diz, "você está construindo alguma coisa, acumulando experiência e conhecimento sobre seu parceiro íntimo ao longo do tempo".
 
Assim, quando os adultos ficam mais velhos, seu círculo social diminui, eles sabem que o tempo é limitado, olham em volta e veem o quê? Um ao outro.
 
"Eles colocam a intimidade como uma prioridade importante", afirma Pillemer, cujo recente livro "30 Lessons for Loving" ("30 Lições para o Amor", em tradução livre) foi escrito com base em entrevistas com 700 idosos. "Muitas pessoas me disseram que você não presta atenção nas diferenças físicas em um casamento longo. A pessoa ainda parece a mesma."
 
Algumas limitações: os pesquisadores originais do projeto de 2005/2006 entrevistaram indivíduos, não casais juntos. Essas novas descobertas não incluíam casais que viviam juntos sem ser casados, casais gays ou lésbicos. Ao definir atividade sexual, os entrevistadores disseram: "Por 'sexo' ou 'atividade sexual' queremos dizer uma atividade mútua e voluntária com outra pessoa que envolva o contato sexual, ocorrendo ou não intercurso e orgasmo".
 
Para Jennie B., o significado de intimidade e atividade sexual evoluiu e ficou mais profundo com o decorrer de seu longo casamento.
 
"Existe uma intimidade que vem lá na frente e é surpreendentemente magnífica. Você pode dar as mãos para essa pessoa que ama e adora, e de alguma maneira é tão apaixonante como fazer sexo numa idade mais jovem. Há um sentimento forte de conexão e intimidade que cresce em um relacionamento longo, e aquele toque carrega consigo o peso de várias memórias. E muitas são sexuais."
 
Na verdade, do que a viúva mais sente saudades é de dar as mãos. "E as pessoas dizem: 'Eu seguro sua mão'. Mas não é disso que estou falando."

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