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Sono ruim interfere no seu dia a dia; veja prejuízos e como melhorar

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Dormir mal te deixa cansado e sem disposição para cumprir as tarefas diárias Imagem: Getty Images

Thais Carvalho Diniz

Do UOL, em São Paulo

04/11/2014 07h05

Não são apenas os distúrbios do sono como insônia, apneia e síndrome das pernas inquietas que podem afetar o seu dia a dia e as suas relações. Dormir mal, simplesmente, também traz efeitos deploráveis para a sua vida. De acordo com os especialistas entrevistados pelo UOL Comportamento, falta de concentração e dificuldade em memorizar coisas simples podem ser sinais de que suas noites ruins estão virando dias piores.

"As pessoas chegam até mim e não conseguem completar uma frase. Simplesmente esquecem o que iam dizer. E isso acontece porque não estão conseguindo dormir direito. Precisamos ter um sono tranquilo e reparador para memorizar tudo que fizemos durante o dia. É assim que funciona. Quando temos um sono picado, não chegamos ao estágio REM (aquele relacionado ao sonho), que é responsável pela memorização", explica Myriam Durante, psicoterapeuta holística e presidente do Ipom (Instituto de Pesquisa e Orientação da Mente).

Segundo a última pesquisa feita pelo Instituto do Sono ligado à Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), em 2007, mais de 35% dos paulistanos têm dificuldade para manter o sono sem interrupções, enquanto cerca de 25% da população não consegue pegar no sono facilmente pelo menos três vezes por semana. O estudo terá sua continuidade divulgada em 2015, quando os mesmos mil e um voluntários voltarão ao laboratório da Universidade para novos testes.

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Para João Marcos Salge, pneumologista do Centro de Medicina do Sono do HCor (Hospital do Coração), o ritmo da vida urbana está diretamente ligado às noites mal dormidas. "O excesso de trabalho e de compromissos sociais faz com que o tempo que deveria ser ocupado pelo sono seja preenchido com outras coisas. E o sono tem função restauradora, então, quem dorme pouco está sujeito a uma sonolência diurna excessiva, o que traz prejuízos no trabalho e até na vida pessoal do indivíduo", fala. 

O principal sintoma da falta de sono é o mau humor, afinal, ninguém consegue estar bem para encarar a rotina após uma noite ruim. "Dormir bem dá equilíbrio emocional e mental, enquanto o contrário vai te deixar impulsivo, irritado e incapaz de manter a atenção no que realmente importa", afirma Rosa Hasan, neurologista e membro da Associação Brasileira do Sono (ABS).

Rosa alerta também para o fato de que não adianta ter uma noite sem interrupções se você dormir pouco. Assim como repousar por exaustão não trará o resultado necessário para se sentir bem no dia seguinte. "O ideal é reservar oito horas para o descanso. Mas, existem pessoas que precisam de mais e outras que são dormidoras curtas. E é fato que com a idade a necessidade de sono muda", comenta.

Depressão, ansiedade e a relação com o sono

É comum pensar que pessoas que preferem ficar na cama dormindo ao invés de fazer qualquer outra coisa podem estar com depressão. Mas não é bem assim. Aqueles que são afetados pelos distúrbios do sono, como insônia, apneia e síndrome das pernas inquietas também vão adquirir maior cansaço.

"Para diferenciar uma coisa da outra, um conjunto de sintomas deve ser observado. A depressão é caracterizada pela falta de ânimo em todas as áreas da vida, enquanto os distúrbios trazem cansaço, mas não tiram a motivação de viver. Além disso, a pessoa afetada pelos problemas típicos do sono terão queixas frequentes sobre as noites ruins e devem procurar um especialista", explica João Marcos Salge.

Já para os indivíduos ansiosos, o sono pode ser um desafio e o grau do problema deve ser avaliado para saber o tratamento necessário. "Se for uma coisa momentânea, recomendamos tentar certa disciplina e não pensar nas preocupações na hora de dormir. Atividades relaxantes como meditação e leitura também podem ajudar", fala Rosa.

Dicas para você dormir melhor

- Tenha um ambiente adequado: silencioso e escuro, pois a luminosidade inibe o sono.

- Procure ter uma rotina de horários para dormir. Pessoas com ritmo de vida aleatório têm dificuldade de pegar no sono, já que o organismo precisa de um padrão para reconhecer que aquela determinada hora é a hora do descanso.

- Praticar exercícios faz muito bem, inclusive para conseguir dormir melhor, mas evite fazê-los à noite. Segundo Myriam Durante, o corpo precisa de quatro a seis horas para desacelerar.

- Se expor à luz do computador ou do celular também inibe o sono, pois deixa a pessoa alerta. Quanto à televisão, Rosa diz que é um pouco relativo, já que algumas pessoas dizem precisar dela para pegar no sono.

 - Evite alimentos estimulantes, como derivados da cafeína. Para os fumantes, o ideal é diminuir a quantidade de cigarros à noite.

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