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Carreira e finanças


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É possível faltar a eventos sociais do trabalho, mas não a todos

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Se você não quiser ou não puder ir a um evento social do trabalho, seja sincero Imagem: Getty Images

Rita Trevisan e Suzel Tunes

Do UOL, em São Paulo

2014-09-09T07:09:00

09/09/2014 07h09

Convites para almoços e festas da empresa são daqueles eventos, teoricamente opcionais, que pensamos duas vezes antes de recusar. Afinal, ninguém quer ficar com a fama de chato e, além disso, o relacionamento interpessoal tem sido cada vez mais valorizado pelas organizações. É o que confirma a diretora executiva da ABRH-Nacional (Associação Brasileira de Recursos Humanos), Sirley Carvalho: "É importante ter uma boa relação com os colegas e, de maneira equilibrada, participar de alguns compromissos sociais com eles. Quando o grupo é coeso, essa aproximação facilita o trâmite interno dos processos e a comunicação".

O psicólogo José Roberto Heloani, professor e pesquisador da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), nas áreas de ética e saúde do trabalho, já constatou essa afirmação na prática. Em uma pesquisa sobre as condições de trabalho de pilotos de avião –categoria que tem sofrido sobrecarga devido à popularização da aviação civil–, Heloani observou que os pilotos bem relacionados são os que conseguem agendar as escalas de maneira mais favorável.

"Quem mantém um bom relacionamento com os colegas, obtém um nível de cooperação maior", afirma. Segundo o professor, entre os executivos, o peso do relacionamento também é considerável: "Depois de um certo grau hierárquico, a subida se dá mais pela capacidade de se relacionar socialmente do que por mérito estritamente profissional".

Respeito aos próprios limites

É claro que, em nome da boa convivência com os colegas e até mesmo da ascensão profissional, ninguém precisa aceitar todo o tipo de convite. Pessoas mais reservadas, tímidas ou que tenham filhos pequenos podem não se sentir tão animadas ou disponíveis para um happy hour toda sexta-feira, por exemplo. E, nesse caso, o conselho do especialista é ser sincero.

"Quando não puder ou não quiser ir, explique o motivo. Se é mais reservado, seja honesto, essa é uma característica sua, não um defeito, e as pessoas entenderão. O problema é vender a aparência de que é extrovertido e bem relacionado e nunca ir aos eventos. Aí, sim, os colegas interpretarão como falta de interesse e engajamento", diz Heloani.

Para a psicóloga Daniele Almeida Duarte, professora de Psicologia do Trabalho da UEM (Universidade Estadual de Maringá), o lazer, fora do horário de trabalho, não deve ter o caráter de obrigatoriedade nem ser a única aposta para integrar pessoas em uma instituição. “Festividades fora do trabalho são significativas quando já há uma boa convivência dentro da instituição. Se esses momentos de lazer passam a se confundir com os momentos de trabalho, então, algo está errado. Em longo prazo, essa tática não funciona", diz.

A professora afirma que, muitas vezes, os trabalhadores se sentem pressionados a participar dos eventos sociais. Quando isso acontece, de oportunidades de descontração e convivência, esses eventos tornam-se “onerosos e ameaçadores”. “Em um universo marcado por intensa competitividade, os compromissos sociais entre colegas de trabalho comportam diferentes sentidos e intenções. Eles podem ser tanto uma oportunidade de aproximação quanto um suplício”, afirma.$escape.getHash()uolbr_quizEmbed('http://mulher.uol.com.br/comportamento/quiz/2012/06/27/voce-sabe-se-promover-no-happy-hour.htm')

Etiqueta empresarial

Se depois de pesar os prós e contras você decidir aceitar o convite, a principal orientação é usar e abusar do bom senso, para saber como se comportar durante o evento. “As pessoas não podem ser ingênuas a ponto de pensar que, por estarem fora do espaço organizacional, não estarão sendo observadas", diz Daniele. Segundo o professor Heloani, uma indiscrição ou desabafo realizado em uma festa, por exemplo, pode ser julgado com um rigor até maior. "Por ser feito fora da empresa, qualquer comentário negativo pode ser visto como uma traição", afirma.

"A maioria dos profissionais precisa desenvolver a inteligência social", fala o economista Cláudio Pelizari, diretor da Etiqueta Empresarial Executive Manners Consulting, empresa que dá cursos e palestras sobre o relacionamento interpessoal no ambiente de trabalho. Ele explica que a inteligência social é a “capacidade de obter cooperação das pessoas” e um de seus componentes é, justamente, a “consciência situacional”, ou seja, a percepção do tipo de ambiente em que se está e de como se adaptar a ele. 

Tal como outros tipos de competência, a inteligência social também pode (e deve) ser desenvolvida, pois alguns detalhes podem ser determinantes para o sucesso dentro das organizações. "A gente tropeça é nas pedras pequenas, que não enxerga", afirma Cláudio. A seguir, ele enumera dez orientações para quem quer aproveitar esse tipo de compromisso social sem arranhar a imagem profissional.

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