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Não deixe que os traumas da relação anterior interfiram na atual

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Pessoas que carregam mágoas tornam-se tensas, ansiosas e cansativas Imagem: Getty Images

Thais Carvalho Diniz

Do UOL, em São Paulo

2014-08-22T07:10:00

22/08/2014 07h10


Se você já sofreu alguma desilusão amorosa, sabe que pode ser difícil se livrar de uma lembrança ruim. Existem pessoas que, após uma decepção, ficam presas a ideias negativas sobre relacionamentos, como "o amor não existe", "todo parceiro será infiel", "ninguém merece minha confiança". Segundo especialistas, porém, esses sentimentos são naturais nessa fase, pois todo rompimento é um luto (e que merece ser vivido).

"Se uma relação é desastrosa, por qualquer que seja o motivo, ficamos mais paranoicos, na defensiva. É uma reação comum do ser humano tentar se proteger de uma próxima decepção", fala Marcelo Quirino, psicólogo pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

Apesar disso, de acordo com a psicóloga e terapeuta de casais Pamela Magalhães, tudo tem limite e é preciso estabelecer um prazo final para esse sofrimento, assim como em qualquer perda.

"É fundamental viver o luto quando um relacionamento termina, para que ele tenha um fim e, então, haja espaço para que um novo possa começar, sem misturar o passado com o presente e o futuro. Esse processo resulta na aceitação do rompimento e na percepção de que a vida tem de seguir em frente", diz.

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A grande questão é como lidar com as lembranças, afinal, existem formas de tirar bons frutos de todas as relações. Para não deixar que as coisas ruins interfiram nos relacionamentos que virão, a saída é usar as experiências a seu favor, ou elas se tornarão inimigas que impedem a felicidade amorosa.

"Não há como se relacionar sem ter medo. Portanto, não se trata de desejar uma vida sem riscos, pois isso seria uma ilusão. Trata-se de transformar o que foi desagradável em aprendizado e ferramenta para lidar com situações futuras. Pessoas que carregam mágoas de relacionamentos tornam-se tensas, ansiosas e até cansativas. Sem contar que podem agir contra si mesmas, perdendo a chance de serem felizes", afirma Rosana Braga, psicóloga, consultora de relacionamentos e autora do livro “Faça o Amor Valer a Pena” (Editora Qualitymark).

Apesar da experiência e das lembranças que um relacionamento fatalmente deixam como herança, é preciso saber que cada relação é única. Iniciar um novo romance lembrando o que deu certo ou errado no anterior é um erro, assim como comparar os parceiros.

"Coloque-se no no lugar do outro. Pense se você gostaria de ser comparado com o 'ex' do seu atual ou se seria legal saber que ele olha para você temendo que o erro do passado se repita", explica Rosana.

Para recomeçar

Segundo o psicoterapeuta Leo Fraiman, o tempo não cura tudo e é necessário um esforço para que o cérebro, até então acostumado com aquela pessoa, entenda que a rotina após um rompimento mudará. 

"Afastar-se, mas continuar fiscalizando as redes sociais e querendo saber da vida do 'ex', reforça, para o cérebro, aquela sensação de prazer que o indivíduo sentia quando estava com o então par. É preciso dar chance ao novo: mas não necessariamente a novas pessoas, pois a ânsia de substituir um amor por outro pode acabar gerando comparações", fala.

Porém, não é todo mundo que consegue fazer essa mecânica funcionar. Por isso, existem estratégias para que você possa, aos poucos, fechar um ciclo. E a primeira delas, de acordo com Fraiman, é tentar mudar os pensamentos negativos que insistem em permear nossa cabeça quando passamos por uma decepção.

Ao refletir sobre as ideias ruins em relação ao amor, resultado da decepção, é possível encarar os fatos de maneira mais positiva. Você pode fazer isso sozinho ou desabafando com pessoas queridas. "Aos poucos, o cérebro vai retomando a sensação de que a vida pode ser boa e que as coisas podem acontecer de uma maneira diferente", explica.

Outra alternativa é escrever no papel, em terceira pessoa, a história que te magoou. Isso pode ajudar a diminuir o medo de decepções futuras.

"Quando escrevemos, nos distanciamos dos acontecimentos e conseguimos enxergá-los de outra forma. Passamos a entender que a condição de sofrimento não precisa ser permanente. Assim, podemos dar à história um desfecho que esteja de acordo com o caminho que gostaríamos que tudo tomasse", comenta Fraiman.

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