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Carreira e finanças

Vale a pena fazer parte das 'panelinhas' no trabalho?

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Um grupo no trabalho pode ser bom ou ruim para a carreira, depende do objetivo de seus membros Imagem: Getty Images

Patrícia Ribeiro

Do UOL, em São Paulo

16/12/2013 07h11


Ter certos comportamentos para ser aceito em um grupo não é um comportamento comum apenas entre crianças e adolescentes que estão na fase escolar. Esse tipo de atitude persiste na vida profissional. As famigeradas "panelinhas" são corriqueiras em empresas de todos os portes e em todos os níveis hierárquicos.

Uma pesquisa feita pelo site de empregos Career Builder, com três mil trabalhadores, constatou que as "panelinhas" fazem parte 43% dos ambientes de trabalho.

A pesquisa revela, também, que um terço dos entrevistados já se sentiu pressionado pelos colegas ou já fez algo de que não tinha vontade só para ser aceito pelo grupo.

Não importam os cargos, a profissão ou se é um ambiente mais feminino ou masculino: a formação de grupos é comum em todas as empresas.

"As 'panelinhas' acabam se formando por afinidades, das mais diversas naturezas. A formação de qualquer grupo traz, na sua origem, a preocupação com a própria segurança", analisa André Acioli, sócio-diretor do Boteco do Conhecimento, empresa especializada em palestras e treinamentos corporativos.

Fazer parte desses grupos pode interferir na produtividade, dependendo da frequência desses encontros e reuniões. "Se esses grupos tiverem como objetivo fazer comentários ou insinuações maldosas de pessoas da organização, com alta frequência, certamente o ambiente de trabalho será prejudicado. Caso as conversas sejam saudáveis e esporádicas, penso que a organização pode ser beneficiada, pois quebra a rotina e diminui o estresse", diz Fernando Camilo, sócio da Kaminarh Consulting, empresa de recursos humanos.


De acordo com Sami Boulos Filho, diretor da Boulos, consultoria especializada em recrutamento e seleção de executivos e professor do curso de pós-graduação de recursos humanos da Universidade Presbiteriana Mackenzie, toda organização possui uma cultura que tem origem nos valores e princípios da pessoa que ocupa a posição mais alta na hierarquia, seja o presidente ou o proprietário.

"É essa pessoa que, com o auxílio de seus colaboradores mais próximos, definirá o comportamento de todos na organização. Quando os membros de um departamento trabalham juntos e vivenciam soluções para os problemas, é natural que, a partir daí, se alinhem uns aos outros, reforçando seus laços profissionais".
 

Funcionário novo

 
Um funcionário novo pode sentir dificuldade de integração no início. Essa situação acontece por diversas razões: "O processo de aceitação de um novo indivíduo por parte de um determinado grupo depende de alguns fatores. O que pode facilitar a inclusão é se ele traz ou trará a oportunidade de suprir as necessidades e os interesses dos demais. Entretanto, ele pode ser rejeitado sem chance de defesa, caso tenha sido contratado em uma área cujo pensamento ou comportamento sejam contrários ou rivais", diz Camilo.
 
Para Boulos, quando entra um novo membro na organização, a rejeição é natural, uma vez que ele não é visto como alguém que possui laços, não vivenciou as lutas pelos problemas, mas, simplesmente, entrou na organização e se achou no direito de participar dos grupos. 

"O novo funcionário terá de construir um relacionamento de confiança, não apenas no sentido de ser uma pessoa confiável, mas, principalmente, de que será capaz de contribuir com a solução dos problemas e, assim, construir seu espaço e evitar a rejeição. Terá de participar das atividades para a estreitar relacionamentos", afirma.
 
O consultor André Acioli diz que o papel do gestor é fundamental para aceitação de novos membros pelo grupo. "Tudo depende da forma como o novo funcionário foi ‘vendido’ e quais expectativas o gestor alimentou nos funcionários. Se é alguém que vai ajudar a solucionar os problemas ou uma pessoa que está ocupando aquela vaga porque é o filho do diretor".
 
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Atitude certa

 
Os especialistas são unânimes ao afirmar que a pessoa não deve fingir ser algo que não é para ser aceita na "panelinha", como, por exemplo, fingir gostar de um programa de TV ou de algum esporte.  

"É um comportamento, no mínimo, de autoagressão. O ideal é ser verdadeiro consigo mesmo. O profissional não precisa deixar de participar dos eventos da empresa, mas deixar claro que alguns encontros não estão no rol daqueles que lhe proporcionam satisfação. Entretanto, estar na companhia do grupo de trabalho é importante", afirma Camilo. 
 
Às vezes, a dificuldade de ser aceito é por ser diferente da maioria do grupo quando, por exemplo, é o mais velho ou o único solteiro. Porém essas diferenças também podem contar a favor.

"São exatamente as distinções que tornam os grupos mais produtivos e integrados. Fazer aflorar o que há de melhor é ser visto como alguém que faz algo de valor. É o valor percebido pelos colegas que faz o novo membro ser aceito", explica Acioli. 
 
Em um ambiente corporativo, a "panelinha" pode andar de mãos dadas com a fofoca. Quanto mais distante o profissional ficar disso, melhor para sua carreira e os relacionamentos na empresa.

Acioli recomenda: "Em vez de querer fazer parte desta ou daquela 'panelinha', faça parte de todas. Pense nas alianças partidárias. Você não precisa compactuar de todos os pontos de vista, nem fazer tudo o que aquele grupo faz, mas nada o impede de ter vários pontos em comum com ele e estabelecer uma ótima e longa convivência".
 

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