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Casamento sem sexo é coisa antiga, mas reclamar disso é novidade

Didi Cunha/UOL
Vote na enquete e use o campo de comentários desta página para opinar sobre o tema Imagem: Didi Cunha/UOL

Yannik D´Elboux

Do UOL, no Rio de Janeiro

25/11/2013 07h00

Ninguém gosta muito de admitir, mas a falta de sexo é um problema comum no casamento. A excitação do início do relacionamento vai se perdendo com o passar do tempo e com o aumento das responsabilidades cotidianas.

O sexo deixa de ser prioridade até simplesmente se tornar um evento raro na vida de alguns casais. Não é possível saber com exatidão quantos vivem um casamento sem sexo no Brasil, entretanto, um estudo realizado pelo Ministério da Saúde, em 2008, revelou que 11% das pessoas que mantinham um relacionamento estável não haviam tido relações sexuais no período de um ano.

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Para os especialistas norte-americanos, um casamento sem sexo é aquele em que o casal não tem mais do que dez relações por ano, um pouco menos do que uma transa por mês. Se esse parâmetro for levado em consideração, o relacionamento do segurança Vinícius*, 28 anos, que mora em Santos (SP), encaixa-se nessa definição.

Casado há oito anos e pai de uma menina de três, ele diz que faz sexo com a mulher a cada dois meses, isso "se insistir muito", senão acaba ficando até mais tempo sem contato sexual. Ele conta que a relação começou a esfriar há uns quatro anos, quando a mulher simplesmente perdeu a vontade.

"Já fiz praticamente tudo, já tentei de músicas e dancinhas ridículas até jantares românticos e presentes, mas a resposta é sempre 'não'", relata. Apesar disso, Vinícius não pensa em se separar, pois acredita que o amor compensa a falta de sexo, porém, continua com a esperança que um dia a situação mude.

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Frequência sexual

Para a psicóloga e sexóloga Sheila Reis, diretora de relacionamento da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana, a ausência ou baixa frequência de relações sexuais em um casamento só pode ser considerada como problema se um dos cônjuges não estiver satisfeito. "Quem estabelece o ritmo é o próprio casal".

Sheila enfatiza que não existe uma frequência normal ou ideal, o importante é que o sexo seja satisfatório e prazeroso para os dois. A psicóloga também chama a atenção para a influência dos veículos de comunicação na vida entre os lençóis, que às vezes propaga padrões sexuais que não se aplicam a todo mundo. "Casais que não tinham problemas acabam achando que têm porque ficam se comparando a outros".

Transando pouco ou muito, as pessoas sempre reclamam. Segundo Bianca Soeiro Beleosoff, que mantém com o marido o blog "Mete a Colher", em que opinam sobre a vida amorosa alheia, a maior queixa dos leitores é a falta de sexo. "Tem tanto aquele que transa apenas duas vezes por mês e reclama quanto o outro que faz três ou quatro vezes por semana e se queixa dizendo que é pouco", conta Bianca, acrescentando que a insatisfação não é apenas dos homens.

A blogueira diz que a maioria alega que, com o tempo, o relacionamento esfriou. “Parece que muitas pessoas ainda não entenderam que o início é um momento único. Acham que se não sentem mais aquele fogo e frio na barriga significa que o amor e o desejo acabaram", reflete.

Esfriou, e agora?

A sexóloga Sheila Reis concorda que a fantasia de que tudo será mágico, como no começo da relação ou nas novelas, atrapalha os relacionamentos longos. “Depois de um tempo, o sexo é diferente. Não significa que seja pior. O legal é descobrir que no casamento ele pode vir a qualquer hora, a qualquer momento".

Para a psicóloga e terapeuta sexual belga Esther Perel, autora do livro "Sexo no Cativeiro" (Editora Objetiva), traduzido para 25 idiomas, a crise que muitos casais estão vivendo advém das expectativas do amor no mundo moderno. "É a primeira vez na história que nós estamos tentando criar relações duradouras que também tenham paixão. Conectamos a felicidade do casamento com a satisfação sexual. No passado, isso não era algo que determinava a qualidade do casamento".

Os casais querem amor e desejo, entretanto, o que mantém um apaga o outro. O amor pede estabilidade, segurança e previsibilidade, já o desejo arde mais quando existe mistério, aventura e novidade. "O que precisamos emocionalmente não é a mesma coisa que nos excita sexualmente", diz Esther Perel.

Como é possível resolver esse dilema? A terapeuta afirma que é preciso criar espaço na relação para manter uma certa intensidade erótica, por meio da imaginação, brincadeira e curiosidade pelo outro, que não pode perder seu caráter individual. "Equilibrar estabilidade e aventura em uma relação talvez não seja um problema que se resolva, mas que se administre".

Sheila Reis diz que o segredo é  um velho conhecido: o diálogo. Mesmo estando em um relacionamento há anos, segundo a sexóloga, muitas pessoas ainda não conseguem expor suas necessidades e seus desejos por medo do que o outro vai pensar. "O diálogo aberto, sem receio ou vergonha, corresponde a 90% de qualquer tratamento”.

* O nome do entrevistado foi alterado

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