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Direitos da mulher


Paraguaias criam página e denunciam conferências com predomínio de homens

Getty Images
Feministas do Paraguai decidiram se unir ao movimento global "All male panel!" Imagem: Getty Images

Noelia F. Aceituno

Da EFE, em Anunciação

2019-03-09T12:23:02

09/03/2019 12h23

O predomínio de vozes masculinas em conferências, debates e seminários chamou a atenção de um grupo de ciberativistas feministas do Paraguai, que decidiu se unir ao movimento global "All male panel!" e denunciar nas redes o fato de mulheres não terem vez nestes eventos.

Cyborgfeministas, uma iniciativa da organização paraguaia dedicada à defesa dos direitos digitais Tedic, recorreu ao público para conseguir imagens destes atos dominados por homens - até mesmo quando o tema é 100% feminino, como "Empoderamento das mulheres e Paquistão" e "Unindo esforços pela amamentação" -, e passou a publicá-las na internet.

No site, elas mostram políticos, empresários e economistas, por exemplo, que compartilham as suas opiniões sem a presença de mulheres.

No ano passado, elas conseguiram publicar 100 imagens. Só em 2019 já foram cerca de 130, de acordo com Maricarmen Sequera, Belén Giménez e Selene Yang, as responsáveis pelo projeto.

"Por semana, recebemos duas ou três. Elas vão detectando, e é muito interessante porque muitas vezes as pessoas não notam. Você vai a um debate, por exemplo, e não pensa na ideia até que alguém te diz: "Caramba! Percebeu que todos são homens?", disse Giménez.

Sequera explicou que esse é um projeto lúdico, que diverte a equipe, mas que também tem muita popularidade, já que é a iniciativa que mais interações recebe nas redes sociais, e nem sempre positivas.

Para Yang, "All male panel" vai além de uma foto que mostra uma realidade mundial, o portal também estimula a denúncia e o "rompimento desse esquema de participação dentro dos eventos".

As três criticaram os requisitos impostos às mulheres - "três doutorados e um pós-doutorado", ironizou Yang -, para participar destes eventos e disseram que não se contentam com explicações como "não conhecíamos mulheres especialistas nesse assunto", o que acaba colocando a mulher no papel de apresentadora ou moderadora apenas.

No entanto, o projeto já teve pequenas vitórias, como o retorno de algumas empresas que, ao saberem que foram colocadas no site das meninas, prometeram "melhorar a imagem".

Sequera também ressaltou ter visto algumas mudanças na comunicação institucional, que começam a ter mulheres, pelo menos nos setores de imprensa.

Embora o "All male panel" seja uma das suas iniciativas com mais visibilidade, desde 2016 elas trabalham para unir minorias (reais ou representativas) à tecnologia, através do Cyborgfeminista.

A ideia é que o grupo mais discriminado "habite os espaços digitais" e aprenda a identificar e "diminuir os riscos que podem vulnerar a presença" na rede, segundo Giménez.

De acordo com a análise feita por elas, as paraguaias ainda são reticentes a compartilhar "um posicionamento político" na rede, e se limitam a publicar sobre festas e eventos sociais que participam.

Uma demonstração de que a tradicional "lacuna educacional para as mulheres" se transformou em uma "exclusão digital", que para Yang pode ser resolvida com a educação inclusiva e a apropriação destes espaços digitais.