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Festa que ressalta "virtude" de jovens gera polêmica na França

Reprodução/Facebook
Fetes de la Rosiere Imagem: Reprodução/Facebook

22/08/2018 10h49

A festa que o pequeno povoado francês de Salency faz para coroar uma jovem escolhida por suas "virtudes" estava há 30 anos sem acontecer, mas o anúncio do retorno, marcado para junho de 2019, chegou cercado de polêmica, após alguns críticos apontarem que a virgindade é um dos critérios de seleção.

Um artigo publicado no jornal "Le Parisien" que cita "a virtude, a piedade e a modéstia, mas também a virgindade" como qualidades exigidas gerou uma onda de críticas e um petição online no "Change.org" com mais de 30 mil assinaturas contra a organização da festa, que agora está por um fio.

A "Fête de la Rosière" nasceu no século V, quando São Medardo coroou uma jovem exemplar como santa. Desde então, e até 1987, uma moça com idade entre 16 e 20 anos era escolhida todo ano como a "Rosa" por sua "conduta irretocável", e no domingo seguinte era coroada com flores e escoltada por 20 meninos e meninas.

"A polêmica aconteceu por causa da pouca honestidade da imprensa. Disse virtude como critério e transformaram a minha mensagem", lamentou o presidente da Confraria de São Medardo, Bertrand Tribout, organizadora da festa.

Embora alguns jornais atribuam a ele a informação de que a reputação das candidatas pese na hora da escolha, ele garantiu que é um "apaixonado pela história", mas a questão da virgindade "não interessa".

"Quando falamos de virtude, falamos da disposição de fazer o bem. A virtude da inteligência, de ser boa aluna, de ajudar o outro, do envolvimento com o povo, de se preocupar com o próximo. Sempre falo de estima, estima pública", ressaltou Tribout à Agência Efe.

A responsável por abrir o pedido no site, Laélia Véron, que em quatro dias somou mais de 32 mil assinaturas, disse à Efe que a Confraria está mudando a forma de falar depois da polêmica e qualificou o evento de machista.

"Estar em casa, ser sempre obediente e bem-humorada são alguns motivos que devem fazer com que a gente assine. Isso é machismo. Sabemos perfeitamente que são palavras bonitas para dizer 'seja submissa'. Não temos que comemorar isso em 2018 na França, seja para meninos ou para meninas", defendeu.

Doutora em Língua Francesa, ela insistiu que "o significado simbólico da rosa incomoda".

"Poderíamos fazer uma festa dedicada aos jovens, mas sem ser sobre qualidades concretas", propôs.

Com apenas 900 habitantes, a pressão midiática pegou de surpresa a Prefeitura de Salency, que deixou de fazer o evento há três décadas "por motivos financeiros" e que, em uma tentativa de reativar o patrimônio local, decidiu retomá-la. Apesar das críticas, aeventual anulação será decidira em uma votação em setembro.

No entanto, a "Fête de la Rosière" não é a única tradicional da região. Na Brède, Emma Baggio foi escolhida há dois meses a "Rosière" de 2018, uma comemoração criada em 1824 e com muita adesão dos jovens.

Fontes da Prefeitura de Brède indicaram à Efe que a ideia é eleger "um representante da juventude" e que "os critérios de evoluíram" para estar "perfeitamente adaptados ao momento atual". Conforme explicaram, basta apenas carta de motivação justificando o vínculo com o povo. Diferentes famílias locais selecionam à candidata e ela, por sua vez, elege um par para que seja nomeado com ela.

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