Direitos da mulher

Solteiras e independentes, mulheres estão mudando a sociedade chinesa

Gilles Sabrie/The New York Times
Jovens solteiras chinesas Imagem: Gilles Sabrie/The New York Times

08/03/2018 18h45

Faltam apenas alguns dias para que Lily Yan complete 30 anos, mas o celibato não é nenhum drama para ela nem para a família, que a apoia na decisão de se rebelar contra a pressão social para se casar e ter filhos. Assim como ela, várias mulheres independentes e anônimas estão mudando a sociedade chinesa.

Muitos se referem a elas de forma depreciativa como "shengnu" ("mulher restante") se não conseguem encontrar um bom marido antes de chegar aos 30, como a tradição manda.

Mas é cada vez maior o número de mulheres em pé de guerra contra essa pressão social e que tomam as rédeas da própria vida, decidindo não se casar por imposição, apenas por amor.

Os últimos números oficiais mostram que cada vez menos casais se casam na China. Em 2016, cerca de 11,4 milhões de casais se casaram, 6,7% a menos que no ano anterior, uma tendência de baixa que vem se repetindo nos últimos anos.

"Estou bem com a minha vida de solteira. Estou concentrada no meu trabalho e bem", contou Lily, cuja carreira profissional melhorou desde que se mudou há quase quatro anos para Pequim, onde agora é a responsável por uma conhecida rede de restaurantes.

"O mais difícil é a família, mas já reeduquei os meus pais com sucesso", disse entre risos. Apesar de ter "pais tradicionais", ela diz que eles têm "a mente bastante aberta".

As mulheres na China que priorizam a profissão ou a felicidade acima do casamento costumam ser tachadas de arrogantes, materialistas ou egoístas, já que não se casar ainda é considerado uma das maiores faltas de respeito aos pais.

Por isso, muitas seguem se sentindo envergonhadas ao assumir a idade e o celibato, mas, aos poucos, essa realidade está deixando de ser um tabu.

Lily lembra que quando foi embora de Tianjin, sua cidade natal, seus amigos advertiram que ela se arrependeria depois de alguns anos porque seria mais difícil encontrar um marido na capital.

"Mas não me arrependo. Agora estou muito longe disso (do casamento). Parece muito aterrorizador para mim porque você tem que entregar toda a sua vida a uma pessoa", comentou.

Entrar no mundo dos negócios, ainda cheio de homens, também não foi fácil por ser jovem e mulher: "Tenho conhecido homens com opiniões muito fortes e menos respeitosos em relação às mulheres jovens".

Outra valente que luta contra o roteiro é Vivian Shi, uma professora de 36 anos de Pequim. Ela não pretende ficar solteira pelo resto da vida, mas está certa que não vai se casar por obrigação.

"A minha missão na vida não é encontrar um marido. Não me preocupo com o que a sociedade pensa sobre mim. Primeiro tenho que gostar de alguém. Depois pensarei se talvez quero me casar ou ter um filho. Passo a passo", opinou.

O mesmo pensamento é compartilhado por Liu Qing, também professora de 35 anos, que quer ser dona do próprio destino e não se sentir amarrada pelas tradições.

"Na China ainda se acredita que a prioridade das mulheres tem que ser a família, e não sua profissão. Tradicionalmente, não se casavam por amor, mas porque era prático. Os homens necessitavam uma mulher para que cuidasse da família e continuasse com sua linhagem. As mulheres, que não costumavam trabalhar, precisavam de alguém que as bancasse", lamentou, ao dizer que o segrego para não cair na armadilha de se sentir uma "mulher restante" é conseguir independência financeira.

Segundo Liu, alguns parentes continuam pensando que é impossível ser feliz sem se casar: "Acham que têm uma vida melhor que a minha só porque estão casados. E se equivocam. Sou feliz sem namorado", comentou.

"Talvez, um dia, encontre alguém e tenhamos um filho. Mas, se não acontecer, também está bem. Terei mais liberdade", declarou.

Todas elas tiveram que passar pelos comuns encontros às cegas organizados pelos pais ou outras situações contra a própria vontade, mas são otimistas e acreditam que as novas gerações já estão mudando, inclusive a dos seus pais, que perante o maior número de divórcios, segundos casamentos ou infidelidades começam a perceber que o casamento não é tão perfeito como pensavam.

Com reportagem de Jèssica Martorell

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