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Direitos da mulher

Monica Lewinsky cita #MeToo e vê "abuso de autoridade" de Bill Clinton

Reprodução/Pagesix
Bill Clinton com a estagiária Monica Lewinsky Imagem: Reprodução/Pagesix

26/02/2018 15h04

Monica Lewinsky, a ex-estagiária da Casa Branca cuja relação com o então presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton (1993-2001), rendeu um histórico julgamento político ao governante, afirmou que existiu certo "abuso inadequado da autoridade" por parte de seu ex-chefe.

"Agora me dou conta do quão problemático foi até nós dois chegarmos à questão do consentimento. O caminho que levava até ali estava infestado de abuso inadequado de autoridade, posição e privilégio", escreveu Lewinsky em uma extensa coluna que sairá na edição de março da revista "Vanity Fair", e que teve trechos divulgados nesta segunda-feira pela imprensa local.

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Apesar da desigual relação de poder entre ambos, o que segundo a ex-estagiária fez com que Bill Clinton "se aproveitasse" de sua subordinada, Lewinsky se mostrou taxativa ao afirmar que se tratou de "uma relação pactuada".

Reprodução/Vanity Fair
Imagem: Reprodução/Vanity Fair

Tudo o que veio depois foi o que, segundo ela, a fez sentir o peso do poder: o escândalo midiático, as mentiras de Clinton perante o Congresso que provocaram uma investigação que ganhou as manchetes no final dos anos 90, e o perdão público da então primeira-dama, Hillary Clinton.

"Qualquer 'abuso' veio depois, quando me tornei um bode expiatório com o propósito de proteger sua posição de poder", avalia Lewinsky, que hoje tem 44 anos de idade.

De qualquer forma, Lewinsky afirmou que hoje em dia, vendo o ocorrido sob a hashtag do movimento # MeToo, que serviu para revelar nos últimos meses centenas de casos de assédio e abuso sexual nos Estados Unidos, se deu conta que durante anos esperou algum tipo de desculpa, mas que esta nunca chegou.

"Meramente me disse, com o seu sorriso: 'Foi uma falta de sorte'", criticou.

Durante anos, esta mulher denunciou que só ela pagou um elevado preço por todo o ocorrido, enquanto Clinton deixava para atrás investigação do procurador-especial Kenneth Starr e seguiu com a sua presidência, enquanto ela se viu isolada no trabalho, o que lhe gerou um transtorno de stress pós-traumático.

"De longe, estive só. Tão, tão só. Publicamente só, abandonada pela maioria das pessoas fundamentais envolvidas na crise, que de fato me conheciam bem. Nadar nesse mar de solidão foi horrível", afirmou.

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