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Paris vai permitir modelos magérrimas em sua temporada de moda

02/10/2006 17h05

Em Paris a magreza extrema não será empecilho para que as modelos possam desfilar, em contraste com a última "Passarela Cibeles" - evento de moda que aconteceu em Madri na última semana.

Na capital histórica da moda, as autoridades locais não se pronunciaram por enquanto sobre o tema, ao contrário das britânicas ou das italianas.

Em setembro, quando a Comunidade Autônoma de Madri proibiu jovens muito magras de desfilar, a ministra da Cultura britânica, Tessa Jowell, aplaudiu a iniciativa, e Milão, outro centro vital da moda européia e internacional, estabeleceu um controle médico obrigatório para excluir essas modelos .

Na França, a semana de coleções acaba de começar sem grande polêmica nem debate sobre o tema, com a freqüente visão das silhuetas magras das modelos. Desfiles como os da japonesa Junya Watanabe ou da russa Alena Akhmadullina confirmaram hoje a tendência.

A magreza exagerada continua, para realçar conjuntos de forte inspiração histórica, do século XVIII em tonalidades cinzas, como apresentadas por Watanabe; ou vitoriana com brancos, negros e marrons delicados, remetendo ao século XIX, com Akhmadullina.

Todos estão esperando que costureiros como John Galliano ou Jean-Paul Gaultier voltem a surpreender ou, inclusive, escandalizar uma parte de seu público, ao colocar sobre seus respectivos pódios figuras nem tão jovens, nem tão magras, nem tão perfeitas como as que impõe as normas da elegância do final do século XX e começo do XXI.

A revista "Elle" excluiu de suas capas as jovens cuja aparência transgride as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Nathalie Rykiel - estilista francesa que dirige a empresa fundada por sua mãe, a também estilista Sonia Rykiel - escreveu há poucos dias nas páginas do "Le Monde" que vive "em contradição permanente.

Mulher da moda, trabalho com modelos muito magras que realçam a roupa. Como mãe de família, acho deplorável este culto da magreza, que pode levar à anorexia".

Convencida de que "é preciso deixar os artistas criarem livremente", segundo ela a solução seria ensinar crianças e adolescentes "a discernir" as imagens que são recebidas e "desconfiar" da fusão entre "sonho e realidade".

É preciso lembrar "que se pode admirar sem obrigatoriamente ter que se identificar", destacou.

Mais contundente, o presidente da Federação Francesa da Costura, Didier Grumbach, declarou hoje à EFE que "não se resolvem problemas de saúde pública regulamentando o trabalho das manequins".

"A moda é o reflexo da sociedade, não a causa", reforçou Grumbach, que considera não existir relação alguma entre as formas esqueléticas que freqüentemente aparecem nas grandes passarelas do mundo e a anorexia que sofrem milhões de jovens nos países mais ricos do planeta.

Por outro lado, ao grito de "Gaultier assassino", Paris lançou esta terça-feira sua própria e nova batalha contra os 300 milhões de animais "massacrados a cada ano em nome da moda", contra o uso e abuso da pele para todo tipo de acessórios, e contra o tráfico ilegal de pele de cachorro.

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