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Carreira e finanças

Como é ser a única corretora em Wall Street

Reprodução/Twitter/WomenExceeding
Lauren Simmons Imagem: Reprodução/Twitter/WomenExceeding

Anne Schwedt

Da Deutsche Welle, em Nova York

25/07/2018 11h43

Lauren Simmons não é apenas a corretora mais jovem, mas também a única do sexo feminino em tempo integral na maior bolsa do mundo: "Se você quer ser ouvida, tem que fazer tanto barulho quanto os homens".

No pregão da Bolsa de Valores de Nova York, homens de ternos caros encaram, tensos, as telas dos computadores. Homens gritam números uns para os outros. Homens correm, afobados, de um estande de comércio de ações para o próximo, de headsets no ouvido. Até quem faz a limpeza aqui é um homem.

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No meio de tudo isso, discretamente escondida na seção da casa de investimentos Rosenblatt Securities, está Lauren Simmons, 23 anos, menos de 1,60 metro de altura, saia curta e saltos altos.

"Eu acho que a minha história é sem igual, porque não sou só a mais nova no pregão, mas também mulher e faço parte de uma minoria", comenta a moça nascida numa cidadezinha no estado americano da Geórgia. "Cheguei à Bolsa de Nova York através de colegas", conta.

Apesar de ter estudado genética, ela sempre foi fascinada por números, uma "linguagem universal, com que todo o mundo se sente conectado".

De início, sua família e amigos reagiram com preocupação à notícia de que se tornaria corretora da bolsa. "O único medo da minha mãe era: 'Mas quantas mulheres trabalham lá?'" Fora quatro outras corretoras em regime meio expediente, ela é, de fato, a única que opera em horário integral.

E antes dela, em toda a história da praça de negócios, apenas uma mulher de cor portou o crachá da NYSE.

No entanto, todas essas apreensões se dissiparam no momento em que ela pisou o pregão do maior mercado de ações do mundo, um dia que jamais esquecerá. "Eu tinha acabado de passar no teste e recebido o meu crachá, e aí me deixaram tocar o sino da bolsa", relata orgulhosa.

Juntamente com Richard Rosenblatt, o fundador da empresa para que trabalha, nesse dia ela apareceu no balcão com o sino. Uma visão inusitada, já que, do ponto de vista histórico, as mulheres não costumam fazer parte da imagem de Wall Street.

A algumas coisas a antes tímida Lauren teve que se acostumar. Num mundo dominado por homens, valem outras regras e formas de tratamento. "Aqui, eu aprendi bem depressa: se você quer ser ouvida, tem que fazer tanto barulho quanto os homens."

Ainda assim, ela preza o senso de comunidade no pregão: "Os homens querem que as mulheres cresçam aqui e façam uma carreira de sucesso", afirma.

O trabalho de Lauren na bolsa é comprar e vender ações, por encomenda dos investidores. Isso exige uma certa capacidade de se impor, disposição ao risco e resistência ao estresse, enumera. E, embora essas sejam características tradicionalmente atribuídas aos homens, Lauren acredita que também as mulheres possam ser boas corretoras.

O que lhes falta são modelos. "Acho que muitas mulheres têm medo de sair de sua zona de conforto, tipo: 'Oh, e se eu for a única? A única representante de uma minoria?'"

Por isso ela ficou especialmente feliz quando, em maio de 2018, a bolsa nomeou Stacey Cunningham como sua primeira presidente do sexo feminino. Lauren acredita tratar-se de um importante passo em direção à equiparação. "Ter mais gente como eu ou você, que é subrepresentada aqui, resultaria em mais respeito mútuo."

Ela espera que sua história venha a ser modelo e inspiração para outras mulheres jovens e as encoraje.

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