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Autoestima


Januhairy: 'o que aprendi quando deixei de me depilar'

Arquivo pessoal
Criadora da campanha, Laura Jackson disse que ficou surpresa com o sucesso do Januhairy Imagem: Arquivo pessoal

Millicent Cooke

04/02/2019 18h56

Mulheres de todo o mundo puseram suas lâminas de lado em janeiro e deixaram seu pelos crescer para participar da campanha "Januhairy" (que, em inglês, combina a palavra "janeiro" e "peludo").

Algumas delas foram elogiadas por ajudar a promover a confiança em todos os tipos de corpo, enquanto outras foram chamadas de desagradáveis ou grosseiras.

Isso é o que quatro participantes dessa iniciativa aprenderam com a experiência.

'Dizer às pessoas era um pouco intimidante'

Arquivo pessoal
Sonia Thakurdesai se sente mais confortável em sua própria pele depois de participar da iniciativa Imagem: Arquivo pessoal

Sonia Thakurdesai estava "muito indecisa" em contar sua decisão para as pessoas.

"Me lembro de ter visto muitos tweets na época em que o 'Januhairy' começou a se popularizar, por parte de mulheres e homens, atacando a campanha (e) dizendo que era repugnante."

"Apesar de estar feliz por participar da campanha, a parte de postar nas redes sociais e contar às pessoas era intimidante para mim. Pelos corporais são algo de que eu sempre tive vergonha. Sempre achei que as pessoas pensariam que era suja ou grosseira se falasse abertamente sobre isso."

A jovem de 19 anos, de West Yorkshire, no norte da Inglaterra, explica que apesar dos medos iniciais, a iniciativa aumentou sua autoconfiança.

"Abriu o debate sobre esse assunto: mulheres de todo o mundo estão compartilhando suas experiências e é um desafio, para aquelas que sentem que devem se depilar, pensar por que isso acontece."

"Me fez sentir mais confortável comigo mesma e aceitar meu corpo em sua forma imperfeita e natural."

'Eu não faço isso para ter aprovação'

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Sabine Fisher ficou magoada com a reação de seus amigos à iniciativa; ela disse não se importar mais com a reação das pessoas Imagem: Arquivo pessoal

Sabine Fisher ficou chocada quando pessoas próximas expressaram seu mal-estar por ela ter participado da campanha.
"Duas pessoas me disseram que era 'desagradável' e 'antinatural', o que me magoou e me confundiu porque eram amigos íntimos, mas agora não me importa que as pessoas não gostem. Faço por mim."
A jovem de 18 anos, de Rotoura, na Nova Zelândia, acredita que algumas culturas sofreram "lavagem cerebral" para pensar que o pelo é algo "ruim e estranho".

"O pelo do corpo é bom, mas quando as pessoas veem minha axila, elas não me olham nos olhos, ou ficam atônitas olhando para ela."
"Não sei se é algo que continuarei fazendo, mas por enquanto me faz sentir bem e sinto que é a coisa certa. Minha beleza e o que valho não têm nada a ver com meus pelos corporais, ou com o que as outras pessoas pensam sobre isso."

'Me sinto feminina'

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Crystal, de 32 anos, voltou a se depilar depois de comentários negativos sobre seus pelos Imagem: Arquivo pessoal

Crystal Marchand é transexual e decidiu deixar seu pelo crescer pela primeira vez desde sua transição, no ano passado.
"Me chamaram de tudo. Me insultaram em público. Alguns ficavam me olhando, outros nem sequer olhavam para mim."
Uma reação abusiva, em meados de janeiro, levou-a a depilar os pelos faciais.

Mas, apesar da reação negativa, a jovem de 32 anos, de Montreal, no Canadá, explica que aprendeu mais sobre si mesma durante esse processo.
"Há um certo perigo em ultrapassar os limites e esse risco preocupou alguns dos meus entes queridos, mas descobri que podia sentir-me feminina apesar de todos os pelos do meu corpo, que me perturbavam desde que começaram a nascer."

"As percepções de outras pessoas sobre meu gênero não são tão importantes para mim quanto aceitar a mim mesma, ser capaz de me amar e de expressar como sou, livremente."

'Um pouco menos monstro'

Laura Jackson nunca pensou que a campanha "Januahairy" teria esse sucesso.

Quando criou a iniciativa, a estudante de 21 anos tinha apenas um objetivo: incentivar as mulheres a aceitar seus pelos e arrecadar dinheiro para instituições de caridade.

Jackson explica que uma mulher, que tem uma barba por causa da síndrome do ovário policístico (SOP), agradeceu por sentir-se "um pouco menos monstro" com a iniciativa.

"Nunca pensei que alguém pudesse dizer isso sobre si mesma", diz o estudante da Universidade de Exeter, na Inglaterra.
"Lágrimas vieram aos meus olhos."

Laura também explica como uma adolescente de 13 anos com muitos pelos nos braços entrou em contato com ela para dizer que a campanha a ajudou a perceber que ela não estava "sozinha".

"Isso me dá mais confiança na humanidade e nas mudanças que esta geração pode trazer ao mundo."

"Mas não é sobre mim. As mulheres têm inspirado outras mulheres com suas histórias. Isso precisava acontecer, e sou grata por fazer parte desse movimento."