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Casa e decoração

Argentino constrói casa com 6 milhões de garrafas

Montagem/elclarín.com /BBC
Após recolher cascos por 21 anos, artesão constrói casa com 6 milhões de garrafas Imagem: Montagem/elclarín.com /BBC

Marcia Carmo

De Buenos Aires para a BBC Brasil

03/05/2011 07h00

O artesão argentino Rubén ‘Tito’ Ingenieri, 47 anos, usou cerca de 6 milhões de garrafas para construir sua casa, uma oficina de arte e um farol.

Tito mora na cidade de Quilmes, a 20 minutos da principal cervejaria argentina. “Destes 6 milhões de garrafas, pelo menos 100 mil são de cerveja”, disse ele à BBC Brasil.

O artesão, que não consome bebidas alcoólicas, recolheu as garrafas durante 21 anos. Elas foram encontradas na rua e doadas por moradores ou pela prefeitura local.

“Em um vídeo que fizemos para promover o museu, apareço bebendo numa garrafa de cerveja, mas é água. O que vale é a garrafa”, disse.

Tito diz que a sua casa é também um museu, tendo recebido delegações do Japão, da Holanda, da Noruega e do Canadá.

“(Construir casas com garrafas) pode ser uma solução para o problema da moradia. É muito mais barato que uma casa de tijolos”, afirmou.

A casa está aberta à visitação publica, com entrada gratuita. O argentino afirma que, às vezes, 40 pessoas percorrem o local ao mesmo tempo.

A casa, com pisos e escadas de madeira, tem um quarto, uma sala, uma sala de jantar, um banheiro e uma cozinha.

“É uma casa como qualquer outra, mas com mais cores e iluminação graças aos tons das garrafas”, disse. Tito, que iniciou, mas não concluiu, os estudos em belas artes, se define como um “operário das artes”.

6 MILHÕES DE GARRAFAS ESTRUTURAM
CASA
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Oito horas por dia
Durante os 21 anos em que recolheu as garrafas, Tito diz ter trabalhado 8 horas por dia nas construções à base de ferro, areia, cimento, madeira e uma cola para prevenir a umidade. “Soldei cada detalhe destas obras. Estou satisfeito com o resultado”.

Tito é porteiro em uma escola na localidade de Bernal, a 25 minutos de Quilmes. Além da casa onde mora, ele construiu a oficina, onde ensina aos interessados o que aprendeu sozinho, e um farol de 12 metros de altura.

O artesão afirma que se mudará para o farol quando ele ficar pronto, em dois meses. “O farol também tem quarto e sala, mas com mais requinte que a casa-museu, porque é mais alto”, disse.

No planos de Tito, está a construção de uma sala de cinema para os moradores locais, dentro da casa. "Quero que muitos vejam que é possível fazer tudo isso sozinho. Com estas casas seria possível resolver problemas dos sem-teto e com criatividade".