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Megafesta em Madri convoca lésbicas a sair do armário

Anelise Infante

De Madri para a BBC Brasil

09/05/2008 11h21

No próximo sábado à noite, o centro de Madri será tomado por mulheres em uma festa que reivindica um maior reconhecimento social para as lésbicas.

Três mil já confirmaram presença no festival chamado "Nós Somos Todas", que abre a temporada de eventos que antecedem o dia do Orgulho Gay em junho - e que este ano terá como tema uma campanha pedindo que as lésbicas saiam do armário.

A intenção das associações de defesa dos direitos das mulheres homossexuais na Espanha é mudar a mentalidade social em relação às lésbicas, porque consideram que só os gays masculinos têm aceitação no país.

"Precisamos apoiar e reconhecer a luta das mulheres lésbicas para chegar a correntes mais progressistas da sociedade. Estamos falando de unidade na diversidade, que elas sejam vistas e aceitas como são muitos gays homens", disse em comunicado à imprensa o presidente da Federação Espanhola de Lésbicas, Gays, Transexuais e Bissexuais (FELGTB), Antonio Poveda.

Personalidades
Segundo os organizadores, as lésbicas precisam que mais mulheres famosas assumam seu homossexualismo, para que elas sigam o exemplo.

Por conta disso, eles consideram 2008 um ano importante, já que foi o ano em que a famosa atriz americana Jodie Foster admitiu ser lésbica e ter uma relação estável com uma mulher, depois de décadas de rumores.

"A invisibilidade é o grande problema. A falta de referências entre os personagens da vida pública e política provocam o aumento dos tabus e preconceitos contra este grupo. Felizmente, com o passo dado por atrizes como Jodie Foster, Ellen DeGeneris, Portia de Rossi ou Leisha Hailey, isso começa a mudar", completou o presidente da FELGTB.

A festa também pretende fazer uma reivindicação política. Depois das leis de casamento entre gays e adoção de menores por casais homossexuais ou da ampliação dos direitos dos transexuais terem sido aprovados na Espanha, as lésbicas pedem mais reconhecimentos.

Para os organizadores do evento a Espanha se tornou um país moderno por essas leis que entraram em vigor com o atual governo socialista, mas é preciso avançar mais.

"Pedimos que os órgãos públicos e organismos sociais contem com as lésbicas em seus programas de igualdade porque é como se não existissem. Estão presas nos armários", afirmou Poveda.

Orgulho
Para obter esta visibilidade, cerca de 300 grupos gays no mundo vão dedicar o dia do Orgulho Gay (28 de junho) às lésbicas.

Segundo a FELGTB, um em cada três casais gays do país é formado por mulheres. As instituições de apoio aos gays promoverão também uma passeata no dia 5 de julho em Madri com o lema "pela visibilidade lésbica" e pretendem levar um milhão de manifestantes às ruas.

A festa deste sábado, será realizada em uma área de 7.000 metros quadrados com duas pistas de dança, cinco DJs (mulheres), sorteio de acessórios eróticos e premiações.

Os organizadores darão troféus a três espanholas por divulgar e apoiar em público a causa lésbica: uma cantora, uma atriz e uma personalidade de qualquer setor.

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