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Enfermeiras levam multa por não usar minissaia na Espanha

Anelise Infante
De Madri para a BBC Brasil

26/03/2008 11h33

Enfermeiras da Clínica São Rafael, da cidade de Cádiz, no sul da Espanha, foram multadas porque se recusaram a usar minissaia no trabalho.

O uso de um uniforme com saias curtas é obrigatório para as enfermeiras da clínica, mas um grupo de funcionárias decidiu desobedecer a norma e, como punição, cada uma delas teve 30 euros (cerca de R$ 80) descontados da folha de pagamento.

As doze funcionárias fizeram uma queixa ao sindicato, que disse que vai entrar com um processo contra a clínica.

"Nos sentimos como objetos decorativos. Na hora de trabalhar não temos liberdade de movimentos, nem podemos nos abaixar para atender os pacientes que estão em camas", disse a sindicalista Adela Sastre, presidente do Comitê das Enfermeiras, a um grupo de jornalistas diante da clínica.

Sastre comentou também que a medida tomada pela direção é "discriminatória".

Primeiro, porque as eleitas para usar minissaias são as que atendem ao público e, depois, porque considera a idéia um "abuso por termos que expor nossos corpos para fazer nosso trabalho", disse.

Segundo a sindicalista, os diretores do hospital nem aceitaram ouvir seus argumentos, alegando que a última palavra é da chefia e que quem estivesse insatisfeita poderia reclamar na justiça.

'Situação revoltante'
Diante da polêmica sobre as minissaias, a direção da clínica emitiu um comunicado assinado pelo dono da rede de hospitais, José Manuel Pascual, afirmando que "as normas são de responsabilidade da empresa."

As sindicalistas também denunciaram a represália da clínica à Secretaria Municipal de Saúde de Cádiz, na última quarta-feira. O governo local pediu explicações à direção da São Rafael e está esperando um informe detalhado sobre o caso.

A central sindical União Geral dos Trabalhadores (UGT), que apóia o processo das enfermeiras, definiu a situação como "revoltante e vergonhosa".

Segundo a agência de notícias espanhola Europa Press, a secretária sindical de Cádiz e porta-voz da UGT, Carmen de Porres, disse que "parece mentira que em pleno século 21 todo mundo fale de igualdade entre homens e mulheres e existam empresas deste tipo, em que só homens podem usar calças".

A porta-voz comentou ainda que o uso deste tipo de vestuário, "com saias, meias e outros elementos, deixou de ser usado há mais de 20 anos porque em muitos aspectos era pouco funcional para o trabalho das enfermeiras."

Porres afirmou ainda que, pelo visto, na rede a que pertence a clínica de Cádiz, a norma é que "a saia sobe cada vez mais e o decote vai baixando".

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