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Moda

2018 é o ano da moda inclusiva na Itália

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Modelo desfilará no Miss Itália com prótese na perna Imagem: Reprodução

02/08/2018 09h45

Modelos em cadeiras de roda, com algum tipo de deficiência ou àquelas excluídas socialmente da indústria da moda estão cada vez mais presentes nas passarelas italianas. Um mercado que fechou, por muito tempo, os olhos para o "fora do padrão" tem alterado suas produções em escala mundial. A italiana Chiara Bordi é a primeira modelo deficiente a desfilar no Miss Itália. Com prótese na perna, a menina de 17 anos avançou na seleção, passando para as finais regionais.   

Neste ano, em junho, o Inclusive Fashion Night tomou conta do icônico hotel cinco estrelas de Roma "The St. Regis", em um desfile de alta moda com modelos deficientes de todo o mundo.   

O evento beneficente foi patrocinado pela Prefeitura da capital italiana e organizado pela Iulia Barton, a primeira agência internacional de modelos inclusiva do mundo. A Iulia Barton nasceu como braço da Fondazione Vertical - ONG que angaria fundos para a cura de paralisias -, e em 2016 se tornou uma verdadeira agência de moda.   

"Somos os primeiros do mundo. No início não foi fácil. Os estilistas têm medo de que uma roupa em uma modelo de cadeira de rodas não tenha o mesmo efeito. Mas eles estão errados", contou à ANSA a fundadora da Burton, Giulia Bartoccioni.   

Hoje, estão elencados 40 modelos na equipe, entre homens e mulheres, que viajam, desfilam e posam para serviços fotográficos. Bartoccioni disse que eles passam por um "casting duríssimo" e somente os talentosos são aprovados. "Assim como Bruna Romano, a nossa Naomi Campbell", brinca a fundadora.   

Romano sofreu um acidente de carro há dois anos e hoje vive sobre uma cadeira de rodas. Um agente a viu, sugeriu a Iulia Barton e a modelo debutou na Semana de Moda de Milão. "Parece louco, mas hoje eu me sinto mais bonita do que antes. Eu adoro moda e sou muito baixa para passarela. Nunca poderia desfilar", afirmou Romano. "Na cadeira de rodas, não tenho problemas. Na verdade, não sofro de dor no pé por causa de salto alto como meus colegas que andam", brinca a jovem de 26 anos.   

Na Itália, uma a cada seis pessoas tem algum tipo de deficiência. Um mercado ignorado completamente até poucos anos atrás, mas que hoje reivindica seu lugar nos trends e nas passarelas de moda.