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Mães e filhos

Craque do vôlei italiano é atacado por vacinar a filha

AP Photo/Jeff Roberson
Ivan Zaytsev Imagem: AP Photo/Jeff Roberson

da ANSA, em Modena

05/07/2018 10h07

O jogador de vôlei Ivan Zaytsev, um dos principais nomes da modalidade na Itália, foi alvo de insultos no Facebook após postar que havia levado sua filha para se vacinar.

O atleta publicou na rede social uma imagem da pequena e uma legenda dizendo que ela agora está protegida contra a meningite bacteriana, doença que causa inflamação das membranas do cérebro e pode ser letal.

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Uma usuária comentou que Zaytsev, medalha de prata nos Jogos Olímpicos Rio 2016, devia se preocupar em jogar, "sem fazer publicidade para vacinas". Outros, no entanto, foram mais agressivos e até xingaram o jogador, que apagou alguns comentários.

Os movimentos antivacinas vêm ganhando cada vez mais força na Itália, provocando surtos de doenças já erradicadas até em países em desenvolvimento, como o sarampo. No ano passado, o governo de Paolo Gentiloni instituiu uma lei que obriga crianças em idade escolar a se vacinarem, mas a medida deve ser flexibilizada pelo seu sucessor, Giuseppe Conte.

Vacinação de crianças em debate no país

O governo da Itália apresentará uma medida que, na prática, esvaziará os efeitos de um projeto da gestão anterior que proíbe a entrada na escola de crianças que não estejam com a vacinação em dia.

A regra, aprovada durante o mandato do centro-esquerdista Paolo Gentiloni (2016-2018), foi duramente criticada pelo antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S) e pela ultranacionalista Liga, que agora governam o país.

A nova medida que o Ministério da Saúde apresentará nesta quinta-feira (5) não derruba a obrigatoriedade da vacinação para crianças, mas diz que, para conseguir a presença de seus filhos nas escolas, os pais poderão apresentar uma "autocertificação", ao invés do comprovante emitido pela Empresa Sanitária Local (ASL, na sigla em italiano), como previsto pela lei.

O prazo para os genitores entregarem esse certificado terminaria em 10 de julho. "Trata-se de uma significativa simplificação do ônus documental sobre os pais", declarou a ministra da Saúde Giulia Grillo, durante uma sabatina nesta quarta-feira (4) no Parlamento.

O "contrato de governo" entre M5S e Liga defende a vacinação, mas critica essa exigência para o acesso de crianças à educação.

No entanto, o ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, secretário do partido ultranacionalista, disse recentemente que exigir 10 vacinas é "inútil e, em muitos casos, perigoso".

Com a crescente força dos movimentos antivacinas no país, o Ministério da Saúde deve promover uma campanha de informação sobre sua eficácia e sua importância para a prevenção.

Atualmente, as vacinas obrigatórias na Itália protegem contra poliomielite, difteria, tétano, hepatite B, coqueluche, sarampo, caxumba, varicela, rubéola e Haemophilus influenzae tipo b, que, entre outras coisas, causa meningites bacterianas. 

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