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Violência contra a mulher

Órgãos públicos se mobilizam contra assédio sexual no local de trabalho

Getty Images
Imagem: Getty Images

Priscila Mengue

São Paulo

14/09/2018 09h12

Uma agressão dentro de um elevador, ameaças de um professor contra uma colega de profissão e um funcionário que assediou ao menos 12 mulheres. Os três casos citados exemplificam denúncias recentes registradas na Corregedoria-Geral da Administração (CGA) do Estado de São Paulo, todas cometidas por servidores públicos.

Um tema mais discutido no âmbito privado, o assédio sexual enquanto crime e infração administrativa começou a ser mais debatido na esfera pública brasileira nos últimos dois anos, com a criação de cursos, campanhas e canais de atendimento a vítimas, trazendo à tona casos que antes não costumavam ser denunciados.

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Mesmo com os novos mecanismos, o número de denúncias ainda é pequeno.

Na CGA, por exemplo, foi de cinco relatos entre 2012 e 2017 para dez entre março e agosto deste ano, após o lançamento da campanha Trabalho sem Assédio Sexual. Tudo isso dentro de um universo de 640 mil servidores estaduais.

Com a mudança, qualquer denúncia de assédio sexual feita na ouvidoria do Estado precisa ser encaminhada à CGA. Das dez denúncias recentes, um funcionário já foi demitido por justa causa e outros dois foram afastados do cargo.

Após a investigação, a Corregedoria envia o caso à entidade de vínculo do funcionário, na qual ele é julgado. Para o corregedor Marco Augusto Porto, coordenador do grupo de trabalho da Corregedoria, a subnotificação é "muito grande".

Dentro desse contexto, as vítimas mais vulneráveis são as que ocupam cargos comissionados ou trabalham em empresas terceirizadas, pois não têm a estabilidade de alguém concursado. Além disso, embora a campanha também aponte para casos mais "sutis", como palavras de intimidação ou que causam constrangimento, as denúncias registradas são de casos muito "violentos", segundo Porto.

Ivan Agostinho, presidente do CGA e idealizador da campanha, observa que "não é um problema que se liquida da noite para o dia".

"Assédio sexual é diferente de paquera. Se a paquerada topou, que vire casamento. Se disse não, não é não", ressalta. Além da distribuição de cartazes e conteúdo de conscientização, a CGA realizou dois cursos para servidores, especialmente para ouvidores e profissionais que trabalham no atendimento de vítimas.

Dentre os mais de 400 participantes está Ilza Santos, de 42 anos, ouvidora da Universidade Virtual do Estado. "Vamos fazer campanha interna contra assédio, mostrar que estamos com as portas abertas."

Outras iniciativas

A campanha na CGA deu origem a projetos semelhantes em órgãos e empresas ligadas ao Estado, como a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), e na Prefeitura. Na Controladoria-Geral do Município, foram registradas 20 denúncias de outubro de 2017 a agosto deste ano, mesmo período em que foram realizadas nove oficinas sobre o tema para 319 servidores.

Além disso, a ação também foi replicada em agosto pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP). "É uma estratégia, não só uma campanha, não se esgota só nos cartazes, no vídeo", aponta Silvia Chakian, promotora de Justiça de Enfrentamento à Violência Doméstica.

Ela vê o tema ainda como tabu dentro do funcionalismo público. "Uma grande mudança é entender que o assédio não é um crime contra aquela mulher especificamente, mas contra todos daquele ambiente. É violento contra todos." 

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