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Violência contra a mulher

Austrália pede desculpas às vítimas de abuso sexual

22/10/2018 08h41

O primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, pediu perdão nesta segunda-feira em nome do país às crianças que sofreram abusos sexuais nas instituições do país, ao reconhecer no Parlamento que o Estado não esteve à altura diante dos "crimes malignos".

"Foram cometidos contra australianos por australianos, por inimigos presentes entre nós", afirmou o chefe de Governo em um discurso exibido ao vivo pela televisão, antes de conversar com algumas vítimas.

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"Como nação, não cumprimos nossas obrigações para com elas, as abandonamos, e isto nos envergonhará para sempre", completou, visivelmente emocionado ao mencionar os abusos sexuais cometidos em instituições religiosas e também estatais.

Após uma década de revelações, o governo australiano cedeu às pressões em 2012 e criou uma comissão de investigação sobre as repostas das instituições aos crimes de pedofilia.

A comissão apresentou um relatório contundente no fim de 2017, depois de ter sido contactada por mais de 15.000 pessoas que afirmaram ter sido vítimas de atos de pedofilia acobertados pela Igreja, orfanatos, clubes esportivos, escolas ou organizações para jovens durante décadas, sem que as suspeitas provocassem qualquer investigação.

Os depoimentos, vários deles exaustivos e que aconteceram em audiências públicas ou com portas fechadas, destacaram a responsabilidade de mais de 4.000 instituições, incluindo várias entidades católicas.

Morrison denunciou os crimes cometidos "dia após dia, semana após semana, mês após mês, ano após ano, década após década" e apresentou uma nova doutrina nacional a respeito das vítimas: "Nós acreditamos nelas".

"Hoje, pedimos perdão às crianças com as quais não cumprimos nossas obrigações. Perdão! Aos pais cuja confiança traímos e que lutaram para consertar as coisas. Perdão! Aos que denunciaram os casos e não ouvimos. Perdão!", declarou o primeiro-ministro.

"Às esposas, maridos, crianças que tiveram que lidar com as consequências destes abusos, os acobertamentos e os obstáculos. Perdão! Às gerações passadas e presentes. Perdão!", completou.