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Diversidade

Duas mulheres castigadas com chibatadas por homossexualidade na Malásia

da AFP, em Kuala Terengganu

03/09/2018 13h57

Duas mulheres da Malásia que admitiram ter mantido relações sexuais contrárias às leis do Islã receberam vários golpes de chibata nesta segunda-feira, em aplicação da sentença proferida por um tribunal islâmico.

A execução desta punição desencadeou uma onda de críticas de organizações de direitos humanos que denunciam uma deterioração da situação da comunidade LGBT na Malásia.

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Vestidas de branco e com as cabeças cobertas por um lenço islâmico, as duas mulheres sentadas em um banquinho receberam seis golpes cada. Uma deles começou a chorar.

Segundo ativistas, é a primeira vez que mulheres malaias são açoitadas por violar as leis do Islã que reprimem relações homossexuais.

Na Malásia está em vigor um duplo sistema judicial e os tribunais islâmicos são capacitados para lidar com questões religiosas e familiares.

As duas mulheres, de 22 e 32 anos, foram presas em abril depois de serem apanhadas dentro de um carro em uma praça pública no estado muito conservador de Terengganu, no norte do país.

Ambas se declararam culpadas e foram condenadas pelo Supremo Tribunal da Sharia a seis chibatadas e uma multa de 3.300 ringgit (800 dólares, 690 euros).

Um juiz leu a sentença nesta segunda em uma sala lotada antes de infligir a punição, de acordo com um jornalista presente.

A Women's Aid Organisation declarou-se "escandalizada e horrorizada por essa grave violação dos direitos humanos".

Uma autoridade da corte, Wan Abdul Malik Wan Sidek, defendeu a punição sob o argumento de que não era tão severo quanto os golpes ordenados para punir outros crimes.

De acordo com a lei islâmica, os golpes são infligidos aos condenados completamente vestidos e seu objetivo é mais humilhar do que provocar sofrimento físico.

A chegada ao poder de uma coalizão reformista depois das eleições parlamentares deu esperanças para a comunidade LGBT, que enfrenta há vários anos uma pressão crescente na Malásia, país onde 60% da população é muçulmana.

Mas as ONGs dizem que o clima se deteriorou para os homossexuais.

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