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Mundo da moda homenageia o gênio Yves Saint Laurent

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Foto do estilista Yves Saint Laurent em 1971 Imagem: Folha Imagem

02/06/2008 13h05

PARIS, 2 Jun 2008 (AFP) - Estilistas de todo o mundo homenagearam nesta segunda-feira o colega francês Yves Saint Laurent, o homem que revolucionou a imagem da mulher do século XX, falecido no domingo em Paris aos 71 anos após uma longa enfermidade. O estilista será enterrado na próxima quinta-feira, dia 5/6 (leia mais aqui).

"Saint Laurent foi um dos melhores estilistas, um dos poucos que alcançava a perfeição em cada coisa que tocava", declarou a estilista britânica Vivienne Westwood.

Para o estilista Christian Lacroix, o segredo do seu sucesso estava na sua extraordinária versatilidade. "Chanel, Schiaparelli, Balenciaga e Dior fizeram coisas extraordinárias. Mas trabalharam com um estilo particular", disse Lacroix. "Saint Laurent é muito mais versátil, como uma combinação de todos eles", disse.

O francês Jean Paul Gaultier assinalou que o estilista foi seu "ídolo", um "modelo para ser seguido", enquanto o italiano Valentino afirmou que ele era "um gigante" com uma "imaginação sem limites".

Valentino e Saint Laurent estudaram juntos em Paris, onde compartilharam "festas intermináveis" no famoso Café de Flore, disse o italiano. Karl Lagerfeld, durante muitos anos grande rival de Saint Laurent, não quis comentar sua morte.

"Eu quero lembrá-lo não só como o maior estilista de sua época como também como era há 20 anos, quando o visitei em sua casara de Marrakesh", disse por sua parte Giorgio Armani.

"Lamentamos não o ter conhecido pessoalmente, nós que aprendemos tanto com ele, que nos inspirou tantas vezes, milhões de vezes", reconheceram os estilistas Domenico Dolce e Stefano Gabana.

O grupo Gucci lamentou a morte do estilista, que "desafiou as regras da moda inventando novamente a elegância francesa. Seu falecimento deixa um enorme vazio e também uma herança sublima".

Por sua vez, a primeira-dama francesa e ex-modelo para a Saint Laurent, Carla Bruni, afirmou "sentir um grande pesar" pelo falecimento do "artista, de um ser humano excepcional", segundo um comunicado oficial.

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Yves com as modelos Claudia Schiffer e Carla Bruni em desfile da coleção de alta-costura outono-inverno de 1996



O Financial Times escreveu que "a morte de Yves Saint Laurent nos permite evocar como ele revolucionou a vida das mulheres trabalhadoras. (a pré-candidata democrata à presidência dos Estados Unidos) Hillary Clinton tem uma boa razão para se sentir agradecida a Saint Laurent".

Desde os grandes jornais até os tablóides, a imprensa americana também prestou homenagens a Saint Laurent.

"Gigante da costura durante 45 anos", segundo o New York Times, Yves Saint Laurent queria "se por a serviço das mulheres, de seu corpo, de seus gestos, da sua vida", escreveu o Washington Post.

Os sites de publicações influentes como style.com, da revista Vogue, ou o wwd.com, da Women's Wear Daily, anunciaram o falecimento e a data do funeral, enquanto se esperava a reação dos grandes estilistas nova-iorquinos ao longo do dia.

Hanae Mori, uma das estilistas japonesas mais famosas e a única mulher asiática aceita como membro com plenos direitos da exclusiva Federação Francesa de Alta Costura, se disse "emocionada" pela morte de Saint Laurent. "Era uma pessoa exemplar", assinalou à AFP Mori, que abriu seu próprio salão de vendas nos anos 70 em Paris.

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O estilista em seu desfile de despedida, em 2002, ao lado da modelo Laetitia Casta (esq.) e da atriz Catherine Deneuve



"Antes de tudo, ele entendeu quem era a nova mulher. Desenhou calças muito confortáveis para as mulheres que trabalham, mas ao mesmo tempo sofisticadas. Muito funcionais mas também elegantes", acrescentou a japonesa.

Até mesmo estilistas que nunca apreciaram especialmente seu estilo vanguardista aplaudiram a faceta visionária de Saint Laurent, destinada à mulher que possui independência econômica e se veste de forma funcional sem perder o componente feminino.

"Quando foi lançada a primeira linha de calças, não gostei, porque pensei que escondia as pernas da mulher, um dos seus atributos mais sexys", admite o estilista japonês Jun Ashida.

"Mas Saint Laurent tinha um olho penetrante sobre a mulher trabalhadora. Ele previu acertadamente os novos tempos e mudou o mundo. É o imperador do mundo da moda", afirmou Ashida à AFP.

A chefe de redação da revista britânica Vogue, Alexandra Shulman, destacou que o estilista francês contribuiu para democratizar a moda.
Antes de Saint Laurent, a moda só tinha espaço para "pequenos salões para gente rica", declarou à BBC Shulman.

"O francês levou a moda para as pessoas, era jovem e genial. As estrelas do pop saíam com ele e as novas gerações se relacionavam com ele", disse.
François Pinault, patrono do império da moda PPR, afirmou que "Yves Saint Laurent transformou tudo a serviço da paixão, para que a mulher brilhe e libere sua beleza e mistério".

A estilista australiana Collete Dinnigan, conhecida por seus vestidos de gala - usados por atrizes de Hollywood como Nicole Kidman e Cameron Díaz - classificou Saint Laurent de "gênio". "Sua morte é uma tragédia, foi um estilista ícone", declarou Dinnigan, citada pela agência de notícias australiana APP.

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