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Ânsia japonesa por requinte obriga alta-costura a se diversificar

28/01/2008 11h34

No Japão, a alta-costura não se limita mais apenas à moda, mas explora também os domínios da gastronomia, da hotelaria e mesmo dos banhos termais, para satisfazer uma clientela endinheirada e ávida por luxo e requinte.

O Japão, onde é muito comum que mulheres da classe média possuam várias bolsas de marca, é um dos mercados mais lucrativos do mundo para a indústria de luxo. Mas é também um dos mais saturados, obrigando as grandes casas de costura a se diversificarem.

"Até então, o japonês queria roupas e artigos de luxo que durassem muito tempo. Mas recentemente, eles pegaram gosto pelo luxo efêmero", explica Maiko Manji, editora da revista Elle no Japão.

"Os grandes estilistas têm oferecido serviços de alto padrão, um conceito completamente novo no Japão", continuou ela. "E os japoneses voam sistematicamente em cima de tudo o que é novo".

Abrir restaurantes e cafés, chocolatarias ou spas é uma das formas que as empresas de artigos de luxo encontraram para um segundo boom no arquipélago.

"É um caminho natural para as casas de moda em um mercado saturado. As pessoas que se contentam em comprar apenas produtos estão cada vez em menor número", afirma Roy Larke, professor de marketing na Universidade Rikkyo e editor do site especializado JapanConsuming.com.

"No Ocidente, as pessoas compram uma casa ou gastam seu dinheiro em família. Mas no Japão, onde os lares são poucos e onde as horas de trabalho são longas, as pessoas procuram meios de agregar valor a seu estilo de vida", explica ele.

Em novembro passado, o designer italiano Giorgio Armani abriu uma megastore em Tóquio, um prédio muito iluminado de 12 andares no coração do elegante bairro de Ginza. Além da butique de moda, de uma loja de móveis Armani Casa, de um restaurante italiano é possível encontrar ainda um spa, em homenagem à paixão dos japoneses por fontes termais.

"Os mercados mudam rapidamente, a concorrência é muito viva e nós devemos estar prontos para lutar com as novas armas", declarou Armani, de 73 anos, na entrevista publicada sobre o site se seu grupo.

Armani também deseja abrir seu primeiro hotel no Japão, mas ainda está em busca do lugar ideal.

O designer de jóias Bvlgari também tem a intenção de instalar um hotel em Tóquio dentro de dois ou três anos. Enquanto isso não ocorre, ele abriu em novembro passado uma megastore, assim como seu primeiro café na famosa avenida Omotesando, a alguns metros das lojas de suas concorrentes francesas Louis Vuitton, Chanel e Cartier.

"O Japão é nosso maior e mais importante mercado. Ainda que haja muitos grandes estilistas aqui, ainda há espaço para crescer", afirmou um dos dirigentes da Bvgalri, Sergio Scudellari.

A Channel foi uma das primeiras casas de luxo no Japão a diversificar suas atividades no Japão ao abrir, ainda em 2004, um prédio de dez andares também em Ginza, compreendendo uma sala para concertos e um restaurante do chef Alain Ducasse.

No jantar, é possível fazer uma refeição entre 17.000 e 22.000 yenes (106 e 138 euros), um preço até razoável para o bairro, algo que ilustra um outro fenômeno: a pressão para a redução dos preços provocada pela intensificação da concorrência.

"O mundo mudou muito. Nos dias de hoje, os jovens estão constantemente à procura das coisas que gostam a preços acessíveis", comenta Armani.

Os restaurantes Armano ou Bvlgari servem o jantar a preços que variam entre 8.500 e 20.000 yenes (53 e 125 euros). Um tratamento de 1h30 no spa Armani custa 45.000 yenes (280 euros).

"Mesmo se você não é imensamente rico, você pode usufruir destes prazeres. As grifes de luxo devem, de agora em diante, ser cada vez mais inovadoras e criativas para conquistar os clientes japoneses", ressaltou Manji, da Elle.

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