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Como escolher um método contraceptivo de graça: são 8 opções só no SUS

Paula Calçade

Colaboração para Universa

18/11/2018 04h00

Durante dois anos, Luana Moreira, estudante de 20 anos, buscou outro método contraceptivo no Sistema Único de Saúde (SUS) para substituir a pílula anticoncepcional, que lhe causava efeitos colaterais indesejáveis, como a falta de libido e instabilidade emocional. “Mas poucas opções pareciam acessíveis, para conseguir colocar o DIU de cobre demorava muito tempo e o implante e o DIU hormonal, que eu achava que podiam ser bons para mim, não estão disponíveis na rede pública”, afirma.

De acordo com o Ministério da Saúde, ainda não é possível colocar o Dispositivo Intrauterino de progesterona, conhecido como DIU Mirena, e o implante concepcional, como o Implanon, nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e hospitais especializados da rede pública. E, na rede particular, esses dois métodos contraceptivos custam caro: o Implantan pode chegar a R$ 1250 e o DIU Mirena, R$ 750.

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“Esses métodos são de longa duração e possuem eficácia muito elevada, mas infelizmente são caros e ainda estão disponíveis apenas no sistema privado, poderiam ser muito importantes para políticas públicas de planejamento familiar”, comenta a ginecologista e obstetra Camila Campos, especialista em anticoncepção e parto humanizado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), destacando que muito ainda precisa ser feito para que mulheres brasileiras tenham amplo acesso à contracepção eficaz.

Foi o caso de Luana Moreira, que somente há poucos meses conseguiu o encaminhamento pelo SUS para a colocação do DIU de cobre, pequeno objeto de plástico que contém cobre em formato de T inserido no útero para atuar como contraceptivo.

A preocupação da médica e a dificuldade de acesso da estudante revelam um problema que se reflete na vida de muitas mulheres. Mais de 55% das brasileiras que tiveram filhos entre 2011 e 2012 não haviam planejado a gravidez, segundo a pesquisa Nascer Brasil da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz, que ouviu 24 mil mulheres. Entre as jovens, essa taxa sobe: 66% das gestações são indesejadas.

Diante dessa realidade, o Ministério da Saúde afirma que, em 2018, estão sendo investidos cerca de 12 milhões de reais na oferta do DIU no SUS. Mas sobre os relatos de demora para o acesso desse ou de qualquer outro método contraceptivo, o Ministério diz que isso é tema de responsabilidade dos gestores locais, ou seja, dos municípios e estados.

Campeões de procura

A pílula anticoncepcional e o DIU de cobre são os dois métodos mais procurados e prescritos no Brasil. Em apenas um ano, o governo federal adquiriu 49,3 milhões de cartelas da pílula para distribuição e foram adquiridas 600 mil unidades de DIU. Mas para escolher um entre todos os contraceptivos existentes tanto na rede pública quanto privada, é preciso informação por parte das pacientes e orientação correta dos médicos.

“A pílula combinada não pode ser prescrita para mulheres com histórico de trombose venosa, câncer de mama e enxaqueca recorrente, por exemplo”, afirma a ginecologista Camila Campos, ressaltando que é preciso uma conversa sobre o contexto familiar e a avaliação de antecedentes importantes da mulher. “A ideia principal não é a opinião do médico e, sim, a orientação dele sobre qual método a mulher mais se identifica e pode utilizar”, enfatiza.

Dentre as opções disponíveis no SUS, estão:

  • injetável mensal e injetável trimestral, que são injeções com progesterona que precisam ser aplicadas a cada um ou três meses, respectivamente;
  • minipílula, as pílulas com progesterona para serem utilizadas durante a amamentação e tomadas todos os dias;
  • pílula combinada, que possui estrogênio e progesterona e precisa ser tomada por 21 dias a cada ciclo;
  • diafragma, uma borracha fina de silicone que impede a entrada dos espermatozoides no útero, que precisa ser colocada antes de toda relação e não é descartável;
  • dispositivo Intrauterino de cobre (DIU); pequeno objeto de plástico que contém cobre em formato de T inserido no útero para atuar como contraceptivo;
  • preservativos femininos e masculinos; únicos métodos que protegem também contra Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs);
  • vasectomia e laqueadura, opções de difícil reversão.

Cada mulher é diferente

“Primeiro de tudo divido entre métodos de curta duração, como as pílulas e as opções de barreira (camisinhas e diafragma), e longa duração, como o DIU e o implante, para que cada mulher busque se enquadrar em uma das divisões”, explica Camila Campos. Para ela, é importante lembrar que cada paciente possui uma rotina e um histórico particular e, assim, ela deve ser tratada nas consultas de maneira individual.

A médica diz que se a mulher é regrada com horários, por exemplo, as pílulas podem ser boas opções. Caso a contracepção dependa do comportamento da paciente e a mulher não se sinta confiante com isso, um método de longa duração é uma possibilidade para ela.

Entretanto, a prescrição da pílula anticoncepcional nos consultórios médicos, às vezes, não leva em conta essas especificidades. “Esse método foi um marco para o planejamento familiar e para as mulheres no mundo, mas pode não ser o melhor método para todas. Muitas mulheres preferem opções não hormonais, por exemplo, mas não são ouvidas pelos médicos”, ressalta. A ginecologista e obstetra comenta, então, que preferências e até mesmo crenças das pacientes devem ser ouvidas nos consultórios à orientação na contracepção. O conselho é: insista e tire todas as suas dúvidas.

E as opções contraceptivas recomendadas e as preferências de cada mulher também mudam ao longo da vida. Depois de engravidar, por exemplo, é preciso buscar de novo qual o melhor método. Fernanda da Costa é obstetriz e explica que pacientes no pós-parto possuem suas particularidades. “Orientamos essas mulheres a irem a uma consulta médica após um mês do parto para a realização de exames e para que possam decidir novamente sobre a contracepção nesse cenário”, afirma. Fernanda ressalta que durante a amamentação apenas a minipílula é indicada como opção via oral, já que não possui estrogênio, mas quando esse período é encerrado, outro método deve ser procurado, já que sua eficácia contraceptiva não continua.