Mulheres inspiradoras

Estreante na SPFW, modelo enfrenta cegueira e conquista sonho da passarela

Reprodução/Mega Model Brasil
Mika, 19, tem 20% de visão em cada olho e uma carreira de modelo prestes a deslanchar Imagem: Reprodução/Mega Model Brasil

Denise de Almeida e Mariana Araújo

da Universa, em São Paulo

26/04/2018 07h00

Ela tem 1,78 m de altura, 60 cm de cintura e apenas 20% de visão. Mikaella de Jesus Santos — ou apenas Mika, seu nome artístico — é uma modelo da nova geração que promete brilhar nas passarelas, enquanto lida com a doença degenerativa que descobriu há quatro anos.

Mika sonha em seguir essa carreira desde os 13 anos de idade. Mas, aos 15, ela recebeu o diagnóstico de ceratocone, uma doença genética que atinge a córnea e pode causar cegueira. "À época, o médico disse que era um caso de transplante, mas que custaria muito caro e eu não tinha condições de pagar. Então, fui levando a vida como podia, enxergando com apenas 20% da visão", contou a modelo em entrevista à Universa.

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Atualmente, Mika usa uma lente de contato especial, capaz de dar mais autonomia a ela. Assim, também conseguiu aumentar a autoestima, mas o caminho não foi fácil. Ela revela que se sentia mal quando outras pessoas tentavam ignorar suas dificuldades.

Reprodução/Mega Model Brasil
"Claro que tive problemas com autoestima", conta a modelo Mika Imagem: Reprodução/Mega Model Brasil

"Diversas vezes ouvi dizerem: 'mas por que não usa óculos?'. Claro que tive problemas com autoestima, sentia receio de falar do meu problema nos castings, mas seguia em frente. Aprendi que precisamos enfrentar as dificuldades da melhor maneira possível, pois tenho objetivos de vida maiores que isso", conta.

A jovem de 19 anos, nascida em Salvador, estreou neste ano na São Paulo Fashion Week hoje é agenciada pela Mega Model Brasil, que tem em seu casting nomes como Ana Beatriz Barros, Izabel Goulart e Isabeli Fontana.

A baixa visão de Mika trouxe desafios diários na sua profissão. "Houve muitas situações que achei que pudesse ser obstáculo como, por exemplo, quando os fotógrafos pediam para que eu copiasse as poses e não enxergava. Mas sempre fui muito focada no meu sonho e dava um jeito de fazer o teste", revela a baiana.

Para Mika, o momento mais marcante em sua carreira foi receber o primeiro cachê e, assim, poder ajudar sua mãe. "Ela sempre me apoiou em tudo, me ajudou a superar cada momento. Foi pouco, mas suficiente para pagar algumas contas que ela precisava pagar", diz, orgulhosa.

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