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Carreira e finanças

Diversidade na firma: plataformas ajudarão a ver se empresas são inclusivas

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Há estudos que dão conta que empresas com diversidade de gênero e étnica podem ter mais lucro Imagem: iStock Images

Natália Eiras

Da Universa

17/11/2018 04h00

Estudos já comprovaram que uma empresa mais diversa pode ser mais lucrativa. Um levantamento da consultora empresarial McKinsey dá conta que a diversidade étnica aumenta em 33% as chances de uma companhia ser mais rentável, enquanto a diversidade de gênero representa um possível crescimento de 21% na receita. É por isso que, nos últimos anos, mais corporações estão preocupadas em incluir no seu quadro de funcionários e reter pessoas de diferentes contextos sociais. Mas como saber se a sua empresa é diversa e igualitária?

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Para medir os progressos em relação à igualdade de gênero no ambiente corporativo, o Pacto Global da ONU, em colaboração com a ONU Mulheres e o BID Invest, criou em 2017 o WEP Gender Gap Analysis Tool (Ferramenta de Análise de Diferenças de Gênero e Princípios de Empoderamento das Mulheres), cuja versão em português foi lançada semana passada em parceria com o projeto Diálogos Nórdicos e a Rede Brasil, do Pacto.

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Nadine Gasman é a responsável pelo escritório da ONU Mulheres no Brasil Imagem: Divulgação

“As WEPs nasceram da necessidade de ter um impacto mais forte no mundo corporativo e de promover a independência econômica das mulheres”, diz Nadine Gasman, representante do escritório da ONU Mulheres no Brasil. “Nesta caminhada, percebemos que as empresas precisavam de uma ferramenta para medir seu progresso”.

A plataforma gratuita tem 18 questões de múltipla escolha que derivam de boas práticas em prol da igualdade de gênero no mundo todo. Elas são divididas em quatro áreas: liderança, ambiente de trabalho, mercado e comunidade. A ferramenta também oferece a opção de preencher 17 indicadores, incluindo porcentagem de funcionários por gênero e cargo, novas contratações, recrutamento, apoio aos pais e cuidadores e saúde da mulher.

“A gente recomenda que as empresas façam essa avaliação anualmente”, aconselha Nadine. O WEP Gender Gap Analysis Tool também é, de acordo com a representante da ONU Mulheres, uma forma de se obter dados e fazer levantamentos sobre a situação da mulher no ambiente corporativo, tendo assim índices de igualdade de gênero nas empresas. “Mas os dados fornecidos são confidenciais e nunca serão divulgados citando individualmente as companhias”, pontua.

Como está há apenas dois anos no ar, a ferramenta ainda não tem informações o suficiente para divulgação de estudos. “Porém, daqui dois anos teremos dados suficientes”, fala Nadine.

Brasileiros estão criando plataforma por diversidade social

JRG Comunicação
Danielle Ucha Rocha, 31, é CEO da Incluser, plataforma que vai medir progresso de empresas em relação a diversidade Imagem: JRG Comunicação

No mesmo caminho da WEP Gender Gap Analysis Tool, a engenheira Danielle Ucha Rocha, 31, percebeu que o mercado brasileiro precisava de uma abordagem mais pragmática para tratar a diversidade. Ela, então, idealizou a plataforma Incluser com o amigo e também engenheiro Gustavo Venâncio, 31.

Com mais duas pessoas em seu time, o site deve entrar no ar no primeiro trimestre de 2019, como uma espécie de “Love Mondays”, página onde pessoas falam sobre suas experiências em empresas, mas focada em inclusão social.

Atuais e antigos funcionários poderão incluir na plataforma suas experiências dentro das empresas. Além disso, pessoas que estejam em processo seletivo poderão consultar se a companhia é inclusiva em relação a quatro marcadores sociais: gênero, raça, sexualidade e deficiência física.

“Muitas vezes as empresas investem em diversidade, em fazer treinamentos e palestras, mas elas não têm como medir se efetivamente estão aumentando o índice de satisfação dos funcionários diversos ou melhorando a imagem no mercado”, fala Danielle. “A Incluser pretende fazer uma ‘fotografia’ da diversidade dessas companhias e mostrar, objetivamente, os caminhos para as empresas melhorarem”.

Assim, mais do que servir como um guia de consulta, a plataforma deve também prestar consultoria para que as corporações possam tornar-se mais inclusivas e, consequentemente, mais competitivas no mercado. “Porque há muitas empresas fazendo a mesma coisa, mas as que tem um ambiente diverso acabam se destacando por vender ideias e produtos mais criativos”, fala. "E o líder do futuro já abarca a diversidade com ele, tem estratégias de crescimento e para reter funcionários diversos, porque é isto que vai fazer toda a diferença no mercado".