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Você sabe o que é transição capilar?

Produzido por Tayla Pinotti para Salon Line

29/10/2018 14h07

É uma mudança que vem de dentro pra fora.

É assim que Danielle Borges, 29, criadora de conteúdo, descreve a transição capilar, fase que não transforma apenas o cabelo, mas o indivíduo na sua essência.

Em termos mais técnicos, a transição capilar é um processo em que a pessoa abandona os procedimentos químicos de alisamento e deixa os fios voltarem à sua forma original, que pode ser ondulada, cacheada ou crespa.

Com o objetivo de tentarem se encaixar em um padrão de beleza, muitas mulheres e homens optam por modificar a estrutura natural dos fios, uma vez que cabelos com curvatura são mal vistos pela sociedade, enquanto fios lisos são exaltados.

Danielle começou a alisar o cabelo aos 8 anos de idade com guanidina e escova progressiva porque sentiu na pele a intolerância ao seu cabelo crespo. Ela conta que sofreu preconceito na infância e que não era bem aceita entre as outras crianças.

A fonoaudióloga Mariana Sausanavicius, de 29 anos, também passou pela mesma rejeição, o que a motivou a procurar procedimentos químicos aos 11 anos de idade. “Eu ouvia palavras muito pejorativas sobre o meu cabelo: preta do cabelo ruim, cabelo de bucha… Depois que eu comecei a alisar, passei a me sentir mais bem aceita nos grupinhos de adolescentes da escola” - Mariana

O preconceito com os fios cacheados e crespos tem origem histórica e cultural. Durante o apartheid na África do Sul, se houvesse alguma dúvida sobre a raça de uma determinada pessoa, o chamado “teste do lápis” era realizado para definir se ela era branca ou negra. Esse teste consistia em colocar um lápis no meio dos cabelos da pessoa. Se ele escorregasse e caísse, significava que a pessoa era branca. Mas, se ficasse preso, era negra.

Setenta anos depois, esse preconceito ainda não foi totalmente desconstruído e as consequências dessa intolerância ainda é visível. Homens e mulheres negros crescem com a autoestima e psicológico abalados e, por este motivo, é tão difícil abrir mão do alisamento e, consequentemente, do padrão de beleza imposto pela sociedade.

É por isso que passar pela transição capilar é um ato de coragem e resistência. Mais do que aceitar a curvatura do cabelo natural, é aceitar a própria identidade, aceitar as origens e “bater de frente” contra todo preconceito.

A DECISÃO DE 'ENFRENTAR' A TRANSIÇÃO CAPILAR

Decidir entrar na transição não é nada fácil. Muitas mulheres nem se lembram mais como é o próprio cabelo no formato natural e, por isso, o receio de enfrentar essa fase é grande.

A transição exige muita dedicação, muitos cuidados e muita paciência. A decisão pode partir de uma vontade, de um questionamento ou de uma necessidade, já que muitas pessoas acabam ficando com feridas no couro cabeludo por conta das químicas de alisamento.

Priscila Nunes, 25, usou químicas capilares durante 9 anos e só parou de alisar o cabelo quando ficou grávida e também pela falta de tempo e dinheiro. Sem saber muito bem o que era transição capilar, Priscila usou o cabelo preso durante praticamente toda a gravidez até descobrir o que era big chop. “Eu assistia vídeos no Youtube e, um dia, vi uma menina falando sobre big chop. Foi então que eu comecei a pesquisar sobre o assunto e pensei ‘achei a solução para o meu cabelo’. Na mesma hora eu pausei o vídeo, lavei o cabelo e cortei as pontas lisas dele. Minha irmã viu tudo e não acreditou na minha coragem” - Priscila

Já a fonoaudióloga Mariana relata que se sentia motivada pelo irmão, que tem um black power, a passar pela transição. Ela conta que, mesmo com os fios alisados, usava um modelador de cachos para cachear as pontas e que gostava deles encaracolados, até que ela resolveu apostar em um permanente afro.

Mariana Sausanavicius
Imagem: Mariana Sausanavicius

“Quando eu percebi que estava fazendo um permanente afro em um cabelo que já é afro, decidi deixar o meu cabelo crescer naturalmente. Eu imaginei que ele poderia ficar bonito porque achava o black power do meu irmão lindo”.

Cada pessoa tem um motivo para querer passar pela transição, mas uma coisa todas têm em comum: a vontade de se reconectar com suas origens e de deixar de ser refém não apenas dos procedimentos químicos, mas também de uma imposição social.

CADA PESSOA TEM SEU TEMPO

Ao contrário do que muitos podem acreditar, o cabelo com química não volta ao formato natural do dia para a noite. O tempo para que isso aconteça varia de caso para caso e depende de alguns fatores como a quantidade/tempo de química e a velocidade do crescimento dos fios. Geralmente, todo o processo dura em torno de 1 ano e meio, podendo oscilar para mais ou para menos.

BIG CHOP NÃO É OBRIGATÓRIO, MAS ACELERA A TRANSIÇÃO CAPILAR

Uma forma de finalizar a transição em um menor tempo é fazendo o big chop, “grande corte”, que elimina de uma vez toda a parte alisada do cabelo. Conhecido como “BC”, o big chop pode ser feito em qualquer momento da transição. Algumas mulheres optam por fazê-lo nos primeiros meses apostando em cortes curtinhos como o tapered hair, por exemplo, enquanto outras demoram mais de um ano para cortar os fios.

A especialista em cabelos do centro técnico da Salon Line, Débora Venâncio, diz que o ideal é procurar a melhor opção de corte para a curvatura do cabelo e formato de rosto. “Não se trata de um simples corte de cabelo mas, sim, de uma transformação, uma revolução para qualquer tipo de curvatura. Por isso, o melhor é analisar as opções e ver qual visual se encaixa melhor no perfil da pessoa e que vai contribuir para ela se sentir ainda mais linda”.

Além disso, é fundamental fazer o BC com um especialista em cabelo com curvatura pois, dessa forma, o resultado poderá ser mais satisfatório. Mariana conta que o dia do seu BC não foi legal porque ela acabou se deparando com um profissional despreparado que tentou convencê-la a voltar a alisar os fios. “A palavra que a pessoa nos dá durante o processo do grande corte pode causar algum efeito negativo e também pode gerar dúvida. Se eu não estivesse tão convicta do que eu queria, talvez eu tivesse desistido” - Mariana

TÉCNICAS DE TEXTURIZAÇÃO SÃO AS MELHORES AMIGAS DE QUEM ESTÁ NA TRANSIÇÃO

Para quem ainda tem receio de apostar no big chop e ficar com os fios muito curtos, a melhor saída para driblar as duas texturas do cabelo é apostar em técnicas de texturização como dedoliss, twists, coquinhos e bigudinhos, por exemplo.

Danielle Borges
Imagem: Danielle Borges

Outra dica para deixar os cachos mais definidos e mais duradouros é investir em cremes para pentear e ativadores de cachos que contenham agentes de fixação. Misturinhas com dois produtos também são super bem-vindas. Danielle contou que sua versão preferida quando estava na transição era o creme 'Multifuncional Multy' junto com a 'Gelatina Não Sai da Minha Cabeça #todecacho'. É importante lembrar que escolher produtos específicos de acordo com a curvatura dos fios também faz toda a diferença no resultado da texturização, já que cada um deles possui fórmulas diferenciadas que atendem às necessidades específicas de cada curvatura. 

CRONOGRAMA CAPILAR PARA FORTALECER OS FIOS

Cabelos com química ficam danificados, ressecados e quebradiços. Para recuperar todos os nutrientes que os fios perderam ao longo dos anos com os procedimentos de alisamento, a melhor alternativa é apostar em um cronograma capilar, uma espécie de agenda de cuidados que intercala hidratação, nutrição e reconstrução.

De acordo com Débora Venância o cronograma deve ser montado de acordo com a necessidade de cada cabelo. Fios ondulados devem focar em hidratação, enquanto cacheados e crespos necessitam de mais nutrição. Cabelos que, além de alisados eram tingidos, costumam precisar de mais etapas de reconstrução. Intercalando esses três tratamentos durante a transição, o cabelo fica mais saudável e cresce com mais força.

Uma boa forma de manter a disciplina é colocando todos os passos em uma tabela, como se fosse uma agenda.

BUSCAR INSPIRAÇÃO É FUNDAMENTAL PARA NÃO DESISTIR NO MEIO DO CAMINHO

Ao se deparar com duas texturas no cabelo, muitas pensam em desistir da transição no meio do caminho. A partir do sexto mês sem alisamento é que a insegurança costuma surgir, pois é quando a raiz começa a ficar mais marcada, enquanto as pontas ainda estão alisadas.

Ana Lídia Lopes
Imagem: Ana Lídia Lopes

Diante de momentos como esse, a autoestima das mulheres fica abalada e a vontade de desistir é grande. O melhor a fazer é respirar, ter calma e focar no resultado. Buscar inspiração também é fundamental para seguir em frente. Histórias de mulheres que enfrentaram a transição não faltam.

A YouTuber Ana Lídia Lopes é referência no assunto e foi inspiração para a Priscila, que buscava dicas de cuidados e de comportamento no canal da blogueira.

Amanda Mendes
Imagem: Amanda Mendes

Já a Danielle é fã da Amanda Mendes, digital influencer e dona de um black power poderosíssimo que inspira e empodera mulheres negras e crespas à aceitarem a sua verdadeira origem.

Mas, não precisa ser famoso para ser inspirador: Mariana se inspirou no próprio irmão, que deixou de lado todo receio do julgamento alheio e assumiu um cabelo crespo sem medo de ser feliz.

Lembrar que muitas pessoas já passaram por essa fase e conquistaram um resultado incrível é a melhor forma de seguir firme na transição, afinal, todo esforço é recompensado. É o caso da Priscila, que conta que ficou com a autoestima péssima em diversos momentos mas, com determinação, foi até o final.

Priscila Nunes
Imagem: Priscila Nunes

Em alguns momentos, eu me arrependia de ter cortado meu cabelo, mas na maioria dos dias eu seguia confiante. Hoje me sinto maravilhosa e feliz por não ter desistido dele. Valeu muito a pena esperar.

ACEITAÇÃO DO CABELO CRESPO

A transição é uma fase difícil para mulheres com todos os tipos de curvatura, mas é ainda mais complicada para quem tem o cabelo crespo. Muitas meninas estranham quando os fios começam a ganhar volume e quando a raiz encrespa.

Ao iniciar a transição, a maioria das pessoas idealiza como resultado um cabelo com cachos perfeitos e abertos, porque o cabelo volumoso e com curvatura 4ABC ainda é o menos bem aceito pela sociedade.

Ir do cabelo alisado para o crespo é uma mudança e tanto. Por isso, é importante aceitar o cabelo crespo também e não apenas os ondulados e cacheados. O cabelo crespo é resistência, identidade, revolução, ancestralidade, liberdade e atitude. Não existe cabelo ruim, ruim é ser preconceituoso!

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Este é um conteúdo de autoria de SALON LINE e não faz parte do conteúdo jornalístico do UOL.