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Professor gay se demite após ameaça de morte de pais de alunos no Zimbábue

Getty Images
Imagem: Getty Images

da EFE, em Harare

28/09/2018 13h08

O professor e vice-diretor de uma das principais escolas particulares do Zimbábue anunciou nesta sexta-feira que pediu demissão, depois de receber ameaças de morte de pais dos alunos por ser homossexual.

Neal Hovelmeier, que atuava no St. John's College, se viu forçado a revelar sua orientação sexual na semana passada, depois que um jornal ameaçou publicar sua história. A revelação, feita durante uma reunião no colégio, irritou alguns pais, que tacharam o professor de "irresponsável".

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O Código Penal do Zimbábue proíbe relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo, com pena de até um ano de prisão, mas juristas consideram que a lei não se aplica a quem confessa abertamente a orientação.

Em carta, Holvelmeier afirmou que viveu "ataques violentos" desde que fez o anúncio.

"Fui alvo de ameaças de morte, bem como ameaças contra a minha integridade física e contra meus animais de estimação", afirmou o docente no texto, no qual diz estar claro que os responsáveis não querem que ele continue na escola.

Hovelmeier trabalhou no colégio por 15 anos, mas disse que não vai se submeter a um julgamento falso, depois que alguns pais ameaçaram apresentar acusações contra ele.

Os pais consideram que a orientação do professor é contrária "aos princípios fundamentais da instituição, que se baseia no cristianismo".

Além de penas de prisão, a comunidade LGBT no Zimbábue enfrenta o desprezo da sociedade e o ex-presidente Robert Mugabe, que comandou o país por 37 anos, chegou a dizer que eram "piores do que porcos e cachorros".

A comunidade gay, no entanto, acredita que o novo presidente, Emmerson Mnangagwa, será mais tolerante.