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Banco da rainha da Inglaterra é acusado de 'sexismo tácito'

Rainha Elizabeth 2º - Getty Images
Rainha Elizabeth 2º Imagem: Getty Images

Kaye Wiggins

da Bloomberg

25/01/2019 09h22

Uma executiva do Coutts & Co., o banco privado de 327 anos que atende a elite do Reino Unido, disse que o "sexismo tácito" na entidade impede que mulheres se manifestem quando têm promoções negadas, e que os homens não são punidos adequadamente por assédio sexual.

Donna Ball, uma diretora associada do banco, descreveu que as mulheres enfrentam uma barreira invisível e salários mais baixos nos documentos de um processo que está apresentando a um tribunal trabalhista em Londres. Ela diz que não foi promovida apesar de ter tido um bom desempenho.

"Por causa do sexismo tácito praticado por alguns dos gerentes do sexo masculino, as funcionárias não se manifestem quando têm uma promoção negada" e "os homens não são devidamente disciplinados quando cometem atos de assédio sexual", disse ela em sua apresentação ao tribunal.

O caso vem à tona em um momento de maior escrutínio em relação à discriminação sexual no ambiente de trabalho devido ao movimento #MeToo. Os órgãos reguladores buscam também melhorar a cultura do ambiente de trabalho no setor financeiro, afirmando que responsabilizarão altos executivos.

O Coutts, uma unidade do Royal Bank of Scotland Group, não pôde comentar especificamente sobre os processos judiciais em andamento, mas uma porta-voz afirmou que a instituição não tolera discriminação no ambiente de trabalho e está empenhada em "incentivar todos os funcionários a se manifestar quando forem alvos ou se depararem com qualquer comportamento não condizente com nossos padrões".

Família real

Ball começou a trabalhar para o Coutts -- cuja base de clientes, segundo ela, "historicamente inclui monarcas, a família real e a maior parte da nobreza" -- como diretora associada em dezembro de 2010, na função de gerente de relacionamento. Ela tinha um salário anual inicial de 53.000 libras (US$ 69.000 dólares) e um pacote global de remuneração de 68.900 libras.

"O que mais impressiona no departamento comercial da Coutts é a ausência de mulheres em cargos seniores", disse, embora em outros departamentos haja mais mulheres em cargos de alto escalão.

Ela disse que era convidada para reuniões, "em parte, para garantir que houvesse uma presença feminina", porque "caso contrário, os clientes começavam a se intimidar com que parecia ser um clube exclusivo para cavalheiros".

O Coutts, cuja entidade controladora, o Royal Bank of Scotland, é parcialmente estatal graças a um resgate realizado na época da crise, não é um banco de varejo comum, disse Ball, porque é preciso ter um milhão de libras ou mais em ativos líquidos para se tornar cliente.

"É incentivada uma cultura de clube e de networking. É, efetivamente, semelhante a um clube exclusivo para sócios em termos de mentalidade e cultura", disse ela.

*Com a colaboração de Donal Griffin.